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domingo, 31 de maio de 2015

Risoto de Camarão da Babitonga


Risotinho de camarão puxado no alho e mostarda, açafrão, manjericão, noz moscada e coentro em semente...

Receita:

Descasque 500g do camarão da sua preferência. Usei camarões brancos da Baía Babitonga, em São Francisco do Sul, pescados por meu pai. Tempere os camarões com sal, pimenta do reino e uma colher de café de sementes de coentro, misture bem e reserve.

CALDO DE CAMARÃO

Numa panela funda frite as cascas dos camarões em 50 ml de azeite de oliva e, quando avermelhar, acrescente 4 dentes de alho e uma cebola pequena picados, até dourar bem. Sal e pimentas a gosto.

Acrescente 2 litros de água e 2 tabletes de caldo de legumes e deixe ferver bem. Retire as cascas de camarão com uma escumadeira ou coe, retornando o caldo à panela e mantendo-o em fogo baixo.

RISOTO

Aqueça uma frigideira funda, aqueça bem 50 ml de azeite de oliva e frite 2 dentes de alho picados até dourar um pouco. Acrescente os camarões descascados, algumas folhas de manjericão fresco, uma colher de sopa da mostarda de sua preferência e frite bem. Retire os camarões da frigideira quando grelhados e reserve novamente.

Adicione à frigideira uma xícara grande, tipo "caneca do papai", rsrs, de arroz arboreo e frite um pouco mexendo bem. Acrescente uma colher do caldo (ou um copo de vinho branco) e raspe o fundo da frigideira com a colher para soltar o resultado da fritura dos camarões, incorporando bem ao arroz.

Acrescente folhas frescas de manjericão e mais uma colher do caldo, uma colher de café de paellero (ou de pistilos de açafrão, ou de cúrcuma/açafrão da terra) mexendo sempre.

Com fogo moderado, vá adicionando caldo aos poucos, à medida que o arroz for quase secando, até os grãos ficarem "al dente" (nem duros, nem macios demais), mexendo sempre para soltar o amido e ficar com aspecto cremoso.

Quando o arroz estiver no ponto, acrescente uma colher de sopa bem cheia com requeijão cremoso ou manteiga (e/ou uma xícara de queijo tipo grana ralado na hora) e uma colher rasa de noz moscada ralada na hora, misturando bem até ficar homogêneo.

Distribua individualmente em pratos fundos (ou pratos especiais para risoto), aqueça os camarões por 30 segundos no microondas e distribua por cima, polvilhando pimenta do reino moída na hora.

Regue com um pouco de azeite de oliva e sirva imediatamente.

Vinho sugerido: sauvignon blanc

quinta-feira, 21 de maio de 2015

PESCA ARTESANAL PODE SER AFETADA?


Não conheço este projeto, mas, contrastando minha lembrança de pescarias em São Francisco do Sul e as imagens veiculadas na internet, poderá - em razão de normas internacionais do tráfego aquaviário e de segurança portuária - impedir a pesca artesanal de peixe e de camarão em larga área na Baía Babitonga! Próximo à cabeça do píer, por exemplo, acredito que localiza-se tradicional pesqueiro: a laje conhecida como "Mata Fome". E, nas imediações, é comum ver-se dezenas de pequenas embarcações na pesca do camarão.

A conferir! O vídeo institucional, por exemplo, nada esclarece quanto aos impactos na comunidade pesqueira da região e eventuais compensações:


ATUALIZAÇÃO: no dia seguinte a esta postagem o Diário Catarinense publicou matéria especial sobre o desenvolvimento econômico na Babitonga em contraste com sua preservação ambiental:

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Pescador - Arnaldo S. Thiago


O Pescador

A diuturna flama, a comburir no espaço,
inda não crepitou. Da noite no regaço
dormem a terra e o mar, dormem placidamente.
Passa então no céu o cortejo esplendente
das estrelas, em torno à pálida sonâmbula.
Silêncio de necrópole. Uma voz notâmbula,
porém, ao longe ecoa: é o canto da saudade
que o marujo desfere em plena soledade.

Distante vem o dia e as auras matutinas
começam a encrespar as águas cristalinas.

O cenário mudou. Agora as ardentias
vão, recamando o mar de revoltas estrias,
projetar-se aos parcéis, à praia alvinitente.
Então o pescador acorda prestamente,
sobraçando lanterna e remos e velame,
corre à faina do mar, antes que a esposa o chame.

Já nas ondas flutua a próvida canoa;
solta a vela ao terral e para o norte aproa.
Ei-lo firme da popa, a manobrar, garboso,
o seu barco veloz sobre o mar tenebroso.

Antes que o sol vergaste os duendes da noite,
com o feixe de luz do espectral açoite
e crave no horizonte o seu olhar primeiro,
se encontra o pescador em cima do pesqueiro.
Atira a poita ao mar e a vela, bem ferrada,
acomoda na proa, embaixo da bancada.

Há prenúncios da aurora. "Inda puxa a maré."
Sobre o fogo da telha aquenta-se o café.
(Não há nada melhor do que tomá-lo quentinho, 
- o bom café com pão, no largo mar, cedinho...)
Depois o pescador acende o seu cigarro;
lança ao vento fumaça e, puxando o pigarro,
dá graças a S. Pedro e vai iscar o anzol.

Começa a clarear e já se avista o sol.
Descem chispas de fogo ao mar, refresca o vento.
Nos rochedos, ao longe, um lençol alvacento
de espumas, se adelgaça e rola, em torvelinhos, 
no abismo torvo e negro onde assomam golfinhos.

Não teme o pescador: com linhote e chumbada,
é firmar-se na borda e não perder a linhada.

Ei-lo agora em seu posto, atento, vigilante,
os recessos do mar sondando instante a instante.

De súbito o linhote enrista força estranha
que parece agitar no oceano a funda entranha.
Movimento instintivo a mão que tem alçada,
impele o pescador na ríspida ferrada
que faz do curvo anzol a farpa traiçoeira
nas guelras se encravar da pescada matreira.
E agora é tentear o peixe na corrida;
não lhe dar muita linha e nem forçar-lhe a brida,
que ainda pode escapar se não tiver cuidado.
Vai muito a diligência e o esforço redobrado.

Mais um pequeno arranco e rígida arpoada
rasga o aurífero dorso à túrgida pescada...

Quando o sol vai a prumo e encrespa a nordestia
o sereno e brilhante espelho da baía,
recolhe o pescador as poitas e o viveiro
e faz rumo da praia em seu barco veleiro.

Nesse dia sorriu-lhe a sorte caprichosa:
- Comprará um vestido à esposa carinhosa,
um pouco de riscado aos filhos... E pensando
em tais coisas, sorri, se alegra e vem cantando.

Entretanto nem sempre as auras da fortuna
são propícias ao bom e nobre pescador:
hoje, falta-lhe a isca, outras vezes, o tempo
se incumbe de entrevar-lhe o gênio lutador.

Então, se o vento ronda o quadrante de leste
já se pode esperar mau tempo muitos dias;
ei-lo, pois, aplicando em consertar as redes
o forçado lazer das longas invernias.

Quantas vezes, porém, ele se faz ao largo
com o vento à feição e mares bonançosos,
e, já no oceano em fora, o anúncio da borrasca
desenha pelo céu sinais tempestuosos!

Rápido, o pescador ferra o pano à canoa
e murmura uma prece à virgem padroeira:
- Valei-me, vós, Senhora! Em meio a tormenta
protegei o meu barco, oh! santa Mensageira!"

Erguem-se vagalhões, ribomba a trovoada;
cruzam raios no céu; dos ventos fustigada,
a chuva se despenha, em turbilhões, no mar.
Na voragem se engolfa a túrbida canoa.
Falece-lhe a esperança... Eis súbito, na proa,
radiante aparece a Virgem tutelar.

- "Ó rainha do céu, acode ao navegante!"
num arroubo de fé, exclama o pescador.
Milagre! Eis que que um poder estranho retempera
a coragem fugaz do heroico lutador.

E braceja, a remar, com força insopitável
que lhe trouxe o vigor da crença inquebrantável.

Mais forte que a tormenta é o poder da oração.
Pescador, tu tens fé e Deus tem coração!

Ei-la do pescador a vida aventureira,
passada sobre o mar, n'uma existência inteira.
Ora de vento em popa, em dias bonançosos;
ora lutando, audaz, com os tempos tormentosos;
aprendendo a sofrer e aprendendo a esperar;
tendo um profundo amor à solidão do mar,
aos filhinhos, à esposa e uma doce lembrança
da praia onde moureja e brincou em criança.

É rude o pescador, mas sua alma é um sacrário
aberto à compaixão do mártir do calvário.

E por isso Jesus prefere ao esplendores,
à vanglória do mundo, o amor dos pescadores. 

São Francisco do Sul - 1927