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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Fundação da Colônia de Pescadores Z-2, em São Francisco do Sul


A Colônia de Pescadores Z-2, fundada por meu bisavô Arnaldo Claro São Thiago, foi objeto, em 2010, de estudo em dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UFSC:

A Colônia de Pescadores Z-2, “Nossa Senhora da Graça” de São Francisco do Sul, foi criada em 25 de outubro de 1921, pelo professor Arnaldo Claro São Thiago, exatamente no mesmo período em que a institucionalização da pesca dava os seus primeiros passos. Logo em seguida foi instituída uma das primeiras escolas primárias da Colônia de pesca do Brasil, instalada no edifício do abrigo “Frederico Vilar” na rua da República, na praia do Motta, centro da cidade de São Francisco do Sul.


A escola tinha como objetivo trabalhar com os pescadores artesanais promovendo a escolarização. Na região sul do Brasil a Colônia Z-2, segundo o seu presidente Ismael dos Santos, sempre produziu diversos trabalhos junto aos pescadores.

Em sua obra Fagulhas (1927), meu bisavô, com sua expressão superior, aos 41 anos, descreve o contexto no qual a "Z-2" foi fundada, seis anos antes:

No município de São Francisco, restrito campo das minhas observações pessoais, desde que me foi confiada, por Frederico Villar, a incumbência de organizar uma colônia de pescadores, oferece aspectos verdadeiramente alarmantes a importante questão social que, em virtude da sua complexidade, só poderá ser solucionada no curso de algumas gerações, mediante o emprego sistemático de medidas governamentais ou de iniciativa particular.

Além da assistência médica e farmacêutica gratuitas, da criação de asilos para órfãos e mendigos, o fundador da Colônia de Pescadores Z-2 dá destaque a:

- difundir a instrução entre as aludidas populações, proporcionando-lhes, desse modo, o conhecimento da sua própria situação;

- incentivar o cooperativismo;

- estimular, enfim, por todos os meios e modos, o trabalho destes nossos patrícios, cujas qualidades intrínsecas de caráter, são de molde a construir segura garantia de que poderão eles tornar-se ainda elementos úteis à Pátria e prestimosos colaboradores do engrandecimento nacional.

Na referida obra, em transporte de alma, meu bisavô homenageia os bravos homens da pesca e suas famílias:

O PESCADOR

A diuturna flama, a comburir no espaço,
inda não crepitou. Da noite no regaço
dormem a terra e o mar, dormem placidamente.
Passa então no céu o cortejo explendente
das estrelas, em torno à pálida sonâmbula.
Silêncio de necrópole. Uma voz notâmbula,
porém ao longe ecoa: é o canto da saudade
que o marujo desfere em plena soledade.

Distante vem o dia e as auras matutinas
começam a encrespar as águas cristalinas.

O cenário mudou. Agora as ardentias
vão, recamando o mar de revoltas estrias,
projetar-se aos parcéis, à praia alvinitente.
Então o pescador acorda e prestamente,
sobraçando lanterna e remos e velame,
corre à faina do mar, antes que a esposa o chame.

Já nas ondas flutua a próvida canoa;
solta a vela ao terral e para o norte aprôa.

Ei-lo firme na popa, a manobrar, garboso
o seu barco veloz sobre o mar tenebroso.

Antes que o sol vergaste os duendes da noite
com o feixe de luz do espectral açoite
e crave no horizonte o seu olhar primeiro,
se encontra o pescador em cima do pesqueiro.
Atira a poita ao mar e a vela, bem ferrada,
acomoda na proa, embaixo da bancada.

Há prenúncios da aurora. "Inda puxa a maré."
Sobre o fogo da telha aquenta-se o café.
(Não há nada melhor que tomá-lo quentinho.
- o bom café com pão, no largo mar, cedinho...)
Depois o pescador acende seu cigarro;
Lança ao vento a fumaça e, puxando o pigarro,
dá graças a São Pedro e vai buscar o anzol.

Começa a clarear e já se avista o sol.
Descem chispas de fogo ao mar, refresca o vento.
Nos rochedos, ao longe, um lençol alvacento
de espumas, se adelgaça e rola, em torvelhinhos,
no abismo torvo e negro onde assomam golfinhos.

Não teme o pescador: com linhote e chumbada
é firmar-se na borda e não perder a linhada.

Ei-lo agora em seu posto, atento, vigilante,
os recessos do mar sondando instante a instante.

De súbito o linhote enrista força estranha
que parece agitar do oceano a funda entranha.
Movimento instintivo a mão que tem alçada,
impele o pescador na ríspida ferrada
que faz do curvo anzol a farpa traiçoeira
nas guelras se encravar da pescada matreira.
E agora é tentear o peixe na corrida;
não lhe dar muita linha e nem forçar-lhe a brida,
que ainda pode escapar se não tiver cuidado.
Vai muito a diligência e o esforço redobrado.

Mais um pequeno arranco e a rigida arpoada
rasga o aurifero dorso à túrgida pescada...

Quando o sol vai a prumo e encrespa a nordestia
o sereno e brilhante espelho da baía,
recolhe o pescador as poitas e o viveiro
e faz rumo da praia em seu barco veleiro.

Nesse dia sorriu-lhe a sorte caprichosa:
- comprará um vestido à esposa carinhosa,
Um pouco de riscado aos filhos... E pensando
em tais coisas, sorri, se alegra e vem cantando.

Entretanto nem sempre as auras da fortuna
são propícias ao bom e nobre pescador:
hoje, falta-lhe a isca; outras vezes, o tempo
se incumbe de entravar-lhe o gênio lutador.

Então se o vento ronda ao quadrante de leste
já se pode esperar mau tempo muitos dias;
ei-lo, pois, aplicando em consertar as redes
o forçado lazer das longas invernias.

Quantas vezes, porém, ele se faz ao largo
com o vento à feição e mares bonaçosos,
e, já no oceano afora, o anúncio da borrasca
desenha pelo céu sinais tempestuosos.

Rápido o pescador ferra o pano à canoa
e murmura uma prece à virgem padroeira:
- "Valei-me, vós, Senhora! Em meio da tormenta
protegei o meu barco, oh! santa Mensageira!".

Erguem-se vagalhões, ribomba a trovoada;
cruzam raios no céu; dos ventos fustigada,
a chuva se despenha, em turbilhões, no mar.
Na voragem se engolfa a turbida canoa.
Falece-lhe a esperança... Eis, subito, na proa,
radiante aparece a Virgem tutelar.

- "Ó rainha do céu, acode ao navegante!"
num arroubo de fé, exclama o pescador.
Milagre! Eis que um poder estranho retempera
a coragem fugaz do heróico lutador.

E braceja, a remar, com a força insopitável
que lhe trouxe o vigor da crença inquebrantável.

Mais forte que a tormenta é o poder da oração.
Pescador, tu tens fé e Deus tem coração!

Ei-la do pescador a vida aventureira,
passada sobre o mar, numa existência inteira.
Ora de vento em popa, em dias bonançosos;
ora lutando, audaz, com os tempos tormentosos;
aprendendo a sofrer e aprendendo a esperar;
tendo um profundo amor à solidão do mar,
aos filhinhos, à esposa e uma doce lembrança
da praia onde moureja e brincou em criança.

E por isto Jesus prefere aos explendores,
à vanglória do mundo, o amor dos pescadores.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

PESCA ARTESANAL PODE SER AFETADA?


Não conheço este projeto, mas, contrastando minha lembrança de pescarias em São Francisco do Sul e as imagens veiculadas na internet, poderá - em razão de normas internacionais do tráfego aquaviário e de segurança portuária - impedir a pesca artesanal de peixe e de camarão em larga área na Baía Babitonga! Próximo à cabeça do píer, por exemplo, acredito que localiza-se tradicional pesqueiro: a laje conhecida como "Mata Fome". E, nas imediações, é comum ver-se dezenas de pequenas embarcações na pesca do camarão.

A conferir! O vídeo institucional, por exemplo, nada esclarece quanto aos impactos na comunidade pesqueira da região e eventuais compensações:


ATUALIZAÇÃO: no dia seguinte a esta postagem o Diário Catarinense publicou matéria especial sobre o desenvolvimento econômico na Babitonga em contraste com sua preservação ambiental:

quinta-feira, 28 de março de 2013

Florianópolis precisa de um terminal de cruzeiros. É uma questão de competitividade!


Durante conversa com empresários da capital, o governador destacou as obras que 
são prioridade para a Grande Florianópolis, entre elas, o terminal de cruzeiros em Canasvieiras


10 de junho de 2011 | N° 9196
ARTIGOS
Acorde, Floripa!, por Ernesto São Thiago*

Um terminal de cruzeiros para Canasvieiras foi noticiado por ocasião da palestra do governador Raimundo Colombo à Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif). Quem deu a boa nova foi Cesar Souza Junior, titular da Secretaria Estadual do Turismo. Segundo ele, o governo do Estado irá buscar recursos junto ao Ministério do Turismo para o projeto. Terminamos um estudo que indicou Canasvieiras como o melhor lugar do litoral catarinense para a instalação de um terminal de cruzeiros. Já estamos trabalhando para conseguir o projeto executivo e as licenças ambientais, detalhou a um auditório absolutamente lotado. Vamos recolocar Florianópolis novamente no mapa dos cruzeiros internacionais, garantiu.

Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado no Seatrade South America Cruise Convention, encontro mundial do segmento, o turismo marítimo movimentou, em 2010-2011, entre gastos de armadoras e de passageiros, R$ 1,3 bilhão no país. O Rio registrou R$ 102,9 milhões, seguido por Santos, com R$ 86,6 milhões, e Búzios, com R$ 57 milhões. Dos R$ 522,5 milhões gastos pelos turistas e tripulantes, R$ 172,6 milhões o foram com o comércio varejista, e R$ 155,1 milhões com alimentos e bebidas. Passeios giraram R$ 67,6 milhões, e transporte, durante a viagem, R$ 30,5 milhões. Comissões a agentes de viagens representaram mais R$ 122,9 milhões. Gastos com hotéis e resorts, antes ou após o cruzeiro, chegaram a R$ 16,4 milhões.

A última temporada teve 20 navios, que transportaram, aproximadamente, 800 mil passageiros, 100 mil estrangeiros. Com melhores portos, regulação e marketing, os números vão disparar. Milhões de fiéis turistas de cruzeiros americanos e europeus começarão a desembarcar no Brasil.

Se a hipersazonalidade é um grande desafio, a temporada de cruzeiros brasileira vai de outubro a maio: quando estamos na primavera, navios já estão movimentando milhares de turistas em outros destinos do litoral brasileiro, inclusive o de SC, e continuam a fazê-lo até depois da Páscoa, quando os turistas há muito já se foram daqui. Florianópolis precisa desse terminal de cruzeiros. É uma questão de competitividade.

*DIRETOR DE TURISMO DA ACIF

ATUALIZAÇÃO EM 28/03/2013:

Estou convencido de que se Florianópolis se equipasse adequadamente para merecer de volta os cruzeiros (até 2008 recebíamos alguns) o número total de escalas no litoral catarinense cresceria vertiginosamente, dado o momento atual do mercado, em busca de novos portos. O "efeito Floripa" seria sentido inclusive com o aumento de escalas nos destinos da nossa costa que já operam este segmento. E não estou sozinho nesta opinião: a ABREMAR pensa do mesmo modo, assim como lideranças do trade turístico de Porto Belo.

A excelente matéria abaixo, do jornal Notícias do Dia de hoje, não entrou neste mérito, mas mostra o sintoma da ausência de Florianópolis nas rotas dos cruzeiros:


ATUALIZAÇÃO EM 29/03/2013:

Coluna de política do jornalista Moacir Pereira, do Diário Catarinense:

 

ATUALIZAÇÃO EM 1º/04/2013:

Coluna de economia da jornalista Estela Benetti, do Diário Catarinense:

segunda-feira, 25 de março de 2013

Santa Catarina precisa de um plano estadual contemplando macrodrenagem, dragagem e fixação de barras de rios e canais!

Barra do Rio Biguaçu, assoreada, oferece riscos à navegação e de enchentes

É lamentável o pouco esforço feito para promover o desenvolvimento socio-econômico do nosso litoral através do modal aquaviário. Praticamente só se pensa em rodovias! 

Arrastam-se há anos problemas de assoreamento de rios e canais por falta de um plano contemplando de macrodrenagem, dragagem e fixação de suas barras, causando sérios problemas ao fluxo náutico, à pesca (como em Passo de Torres e Itapoá) e agravando enchentes.

Caso típico é o do Rio Tubarão. Mais de duas mil famílias de pescadores artesanais dependem da abertura periódica da barra da Lagoa do Camacho, em Jaguaruna. O processo de dragagem é necessário para manter a salinidade e possibilitar a entrada de peixes e crustáceos, relata o Jornal Notisul!

O quadro se repete, por exemplo, em Balneário Barra do Sul, onde cerca de 800 famílias de pescadores estão impossibilitadas de exercer sua atividade, conforme ata de audiência pública realizada este ano, relativa à reabertura do Canal do Linguado, na Baía Babitonga.

Biguaçu, cidade vizinha a Florianópolis nas águas da Baía Norte da Ilha de Santa Catarina, há anos está atolada em luta semelhante, conquistando progressos muito lentamente face a importância da obra!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pauta da primeira reunião do GT Náutico de SC em 2013 não indica, mas secretário Beto Martins anunciará novidades!


Uma das reuniões itinerantes do GT Náutico de SC, esta realizada em Itajaí, ano passado.

Prezados senhores (as),
Vimos convidá-los para participar da reunião do Segmento de Turismo Náutico de Santa Catarina, a realizar-se no dia 1º de Fevereiro  (sexta-feira), às 09:00h, no auditório da SOL, localizado à Rua Eduardo Gonçalves D'Avila, 303 - Itacorubi - Florianópolis - SC.
Pauta da reunião:
- Apresentação do Secretário José Roberto Martins – Beto Martins
- Encaminhamentos do GT Náutico para 2013
- SEATRADE Miami 2013
- Encaminhamentos gerais
Aguardamos confirmação de presença até o dia 30 de janeiro (quarta-feira), através deste e-mail.


Atenciosamente,



Elisa Wypes Sant'Ana de Liz

Diretora de Políticas Integradas do Lazer - PDIL

Secretaria de Estado de Turismo Cultura e Esporte
(48) 3212-1929


NOTA PESSOAL: Esta semana tive longa conversa com o secretário Beto Martins em que expus a história e o contexto do GT Náutico de SC, criado em 2009 a partir de uma iniciativa da ACIF. Após, ele informou-me que pretende fortalecer o GT Náutico de SC, detalhando como pretende fazê-lo. Trago mais detalhes após a reunião de amanhã. Vale conferir interessante entrevista do secretário ao jornal Notícias do Dia. Veio do setor portuário...

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Pescador - Arnaldo S. Thiago


O Pescador

A diuturna flama, a comburir no espaço,
inda não crepitou. Da noite no regaço
dormem a terra e o mar, dormem placidamente.
Passa então no céu o cortejo esplendente
das estrelas, em torno à pálida sonâmbula.
Silêncio de necrópole. Uma voz notâmbula,
porém, ao longe ecoa: é o canto da saudade
que o marujo desfere em plena soledade.

Distante vem o dia e as auras matutinas
começam a encrespar as águas cristalinas.

O cenário mudou. Agora as ardentias
vão, recamando o mar de revoltas estrias,
projetar-se aos parcéis, à praia alvinitente.
Então o pescador acorda prestamente,
sobraçando lanterna e remos e velame,
corre à faina do mar, antes que a esposa o chame.

Já nas ondas flutua a próvida canoa;
solta a vela ao terral e para o norte aproa.
Ei-lo firme da popa, a manobrar, garboso,
o seu barco veloz sobre o mar tenebroso.

Antes que o sol vergaste os duendes da noite,
com o feixe de luz do espectral açoite
e crave no horizonte o seu olhar primeiro,
se encontra o pescador em cima do pesqueiro.
Atira a poita ao mar e a vela, bem ferrada,
acomoda na proa, embaixo da bancada.

Há prenúncios da aurora. "Inda puxa a maré."
Sobre o fogo da telha aquenta-se o café.
(Não há nada melhor do que tomá-lo quentinho, 
- o bom café com pão, no largo mar, cedinho...)
Depois o pescador acende o seu cigarro;
lança ao vento fumaça e, puxando o pigarro,
dá graças a S. Pedro e vai iscar o anzol.

Começa a clarear e já se avista o sol.
Descem chispas de fogo ao mar, refresca o vento.
Nos rochedos, ao longe, um lençol alvacento
de espumas, se adelgaça e rola, em torvelinhos, 
no abismo torvo e negro onde assomam golfinhos.

Não teme o pescador: com linhote e chumbada,
é firmar-se na borda e não perder a linhada.

Ei-lo agora em seu posto, atento, vigilante,
os recessos do mar sondando instante a instante.

De súbito o linhote enrista força estranha
que parece agitar no oceano a funda entranha.
Movimento instintivo a mão que tem alçada,
impele o pescador na ríspida ferrada
que faz do curvo anzol a farpa traiçoeira
nas guelras se encravar da pescada matreira.
E agora é tentear o peixe na corrida;
não lhe dar muita linha e nem forçar-lhe a brida,
que ainda pode escapar se não tiver cuidado.
Vai muito a diligência e o esforço redobrado.

Mais um pequeno arranco e rígida arpoada
rasga o aurífero dorso à túrgida pescada...

Quando o sol vai a prumo e encrespa a nordestia
o sereno e brilhante espelho da baía,
recolhe o pescador as poitas e o viveiro
e faz rumo da praia em seu barco veleiro.

Nesse dia sorriu-lhe a sorte caprichosa:
- Comprará um vestido à esposa carinhosa,
um pouco de riscado aos filhos... E pensando
em tais coisas, sorri, se alegra e vem cantando.

Entretanto nem sempre as auras da fortuna
são propícias ao bom e nobre pescador:
hoje, falta-lhe a isca, outras vezes, o tempo
se incumbe de entrevar-lhe o gênio lutador.

Então, se o vento ronda o quadrante de leste
já se pode esperar mau tempo muitos dias;
ei-lo, pois, aplicando em consertar as redes
o forçado lazer das longas invernias.

Quantas vezes, porém, ele se faz ao largo
com o vento à feição e mares bonançosos,
e, já no oceano em fora, o anúncio da borrasca
desenha pelo céu sinais tempestuosos!

Rápido, o pescador ferra o pano à canoa
e murmura uma prece à virgem padroeira:
- Valei-me, vós, Senhora! Em meio a tormenta
protegei o meu barco, oh! santa Mensageira!"

Erguem-se vagalhões, ribomba a trovoada;
cruzam raios no céu; dos ventos fustigada,
a chuva se despenha, em turbilhões, no mar.
Na voragem se engolfa a túrbida canoa.
Falece-lhe a esperança... Eis súbito, na proa,
radiante aparece a Virgem tutelar.

- "Ó rainha do céu, acode ao navegante!"
num arroubo de fé, exclama o pescador.
Milagre! Eis que que um poder estranho retempera
a coragem fugaz do heroico lutador.

E braceja, a remar, com força insopitável
que lhe trouxe o vigor da crença inquebrantável.

Mais forte que a tormenta é o poder da oração.
Pescador, tu tens fé e Deus tem coração!

Ei-la do pescador a vida aventureira,
passada sobre o mar, n'uma existência inteira.
Ora de vento em popa, em dias bonançosos;
ora lutando, audaz, com os tempos tormentosos;
aprendendo a sofrer e aprendendo a esperar;
tendo um profundo amor à solidão do mar,
aos filhinhos, à esposa e uma doce lembrança
da praia onde moureja e brincou em criança.

É rude o pescador, mas sua alma é um sacrário
aberto à compaixão do mártir do calvário.

E por isso Jesus prefere ao esplendores,
à vanglória do mundo, o amor dos pescadores. 

São Francisco do Sul - 1927

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

São Francisco do Sul (SC) terá ainda menos escalas de cruzeiros nesta temporada, porém comércio segue faturando alto!!!

Foto de autoria de minha mãe, Arcélia Teixeira S. Thiago, enquanto pescava com meu pai, fundeados na Baía Babitonga ao largo do Centro Histórico de São Francisco do Sul (SC).

Se existe uma cidade que divide meu coração com Florianópolis é São Francisco do Sul, terra encantada onde cresci entre o casario histórico e as águas da Baía Babitonga.

Exatamente por isto lutei muito, com apoio fundamental e já anterior da Brasilcruise e de Milton Sanches, à época executivo da CVC Cruzeiros, para que  esta jóia encravada no litoral catarinense voltasse a receber escalas.

Houve mesmo um pedido do prefeito Zera, durante o Cruise Day Abremar 2010, apelando para nossos laços familiares e espirituais, no sentido de que eu me empenhasse ao máximo nesta faina a qual, a partir de um almoço em Brasília (DF) entre eu, Milton Sanches e Cadu Bueno (presidente da Brasilcruise), logrou êxito

O trabalho institucional por São Francisco do Sul é uma luta continuada.

Infelizmente veio a notícia de uma drástica queda no número de escalas na Babitonga, porém, felizmente, mesmo que em menor grau, a economia local continua a ser impactada pelos cruzeiros!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Jacatirão, a árvore da Mata Atlântica que anuncia o Natal em SantaCatarina!

Florada do Jacatirão na Baía Babitonga

NOSSA TERRA
Arnaldo Claro de S. Thiago
(meu bisavô) em "Fagulhas"

Desponta a primavera! Os regatos e as fontes
deslizam, murmurando uns cânticos insontes
em mágicas surdinas.
Ao perpassar da brisa agita-se o arvoredo
e canta, a sussurar, sutil, como em segredo,
mil estrofes divinas.

As folhas outonais, levadas pelo vento,
giram doidas no ar e quedam, lento e lento,
dispersas pelo chão.
À margem dos paúes, nos bosques, nos outeiros,
mostram jacatirões eretos, sobranceiros,
soberba floração.

Surgiu Dezembro, enfim. A mater-natureza
ostenta em mil festões a ingênita beleza,
seus dons e seu amor;
acorda os estevais com os psalmos dos seus ninhos
e vem ornamentar com flores e carinhos
O berço do Senhor.

Templos e catedrais; no campo e nas cidades,
castelos senhoriais, bucólicas herdades
não têm presepe igual.
Que linda que tu és, minha terra encantada!
De flores e de sol tão catita e enfeitada
no dia de Natal!

Vastíssimo estendal de flores rubescentes
cobre toda a extensão de montes adjacentes
e da Serra do Mar
e se desdobra além, por vales e colinas,
deixando mil rasgões em meio das campinas,
ao vento, a ondular...

Dezembro explende e canta. As selvas consteladas
têm pérolas de luz em rubis engastadas:
o rócio da manhã, em gotas multicores,
irisadas, sutis, desprende-se das flores,
colorindo, esmaltando o fundo verdejante
do arvoredo a estuar de seiva exuberante.

Que formoso jardim! No centro, a Babitonga
por dunas e parcéis se estende e se prolonga,
na face de cristal os raios projetando
do sol que vai, à tarde, aos poucos se apagando...

O quadro é grandioso! Ah! Quem nos dera Rubens
o tivesse entrevisto, à hora em que, de nuvens
diáfanas, o encobre um mágico estendal
que aos poucos se adelgaça e ascende na espiral
dos cirrus matinais! Então, ao descerrar-se
a tela majestosa, ele iria prostrar-se
- alma de luz e amor - no altar da natureza
nossa terra exalçando ao trono de Princesa.

E todos estes dons estenta, aprimorados,
nossa terra em Dezembro. Em torno do eirados
mostra o jacatirão seus bouquets multicores:
alvos flocos de neve entre purpureas flores.

No dia de Natal, se aliseras lufadas
balançam da floresta as róridas copadas
embebidas de luz,
na rustica choupana em meio aso lavradores,
cai dos jacatirões uma chuva de flores
mandadas por Jesus.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

“História do Porto de São Francisco do Sul” é obra que revela dados interessantes. Primeiros estudos remontam a 1884!

História do Porto de São Francisco do Sul - Nelci Terezinha Seibel

O Diretor de Logística do Porto de São Francisco do Sul, Arnaldo Diógenes Lopes de S. Thiago (meu tio paterno), que já foi administrador do mesmo porto e vice-prefeito da cidade, fez-me chegar às mãos esta obra de fôlego capitaneada por Nelci Terezinha Sibel.

Após três anos de pesquisas em livros, documentos, jornais antigos e mais de 60 entrevistas veio à luz a “História do Porto de São Francisco do Sul”.

A ideia surgiu do interesse da Administração do Porto – APSFS, com base em uma obra anterior “São Francisco do Sul 500 Anos – Construções Históricas”, realizada em comemoração ao meio século de descobrimento de São Francisco do Sul.



domingo, 23 de setembro de 2012

Talharim de nero di sepia com camarão da Baía Babitonga puxado no bacon e molho de nata ao tomilho limão...


Talharim de nero di sepia com camarão da Baía Babitonga puxado no bacon e molho de nata ao tomilho limão.

Mais 15 minutos estará pronto!

Prato finalizado :)




Receita:

1. Cozinhe 500g de talharim nero di sepia até ficar al dente.
2. Descasque 1 Kg de camarões grandes. Ferva bem as cascas dos camarões em 1litro de água, batendo-as depois no liquidificador e peneirando. Reserve o caldo.
3 . Tempere os camarões descascados com sal, pimenta do reino e herbes de provence a gosto. Em uma frigideira grelhe-os rapidamente dos dois lados em 2 colheres de sopa de manteiga e 1 fio de azeite de oliva os camarões descascados. Em microondas, frite por 2 minutos duas fatias de bacon comprado fatiado. Pique-as e misture ao camarões com o óleo que se formou. Reserve.
4. Na mesma frigideira em que grelhou os camarões, coloque mais 2 colheres de sopa de manteiga e refogue 1 cebola média e 4 cabeças de alho, tudo bem picadinho. Acrescente 2 colheres de sopa de farinha de trigo, mexendo sempre até dourar e em seguida adicione aos poucos o caldo de camarão. Ajuste o sal, a pimenta e adicione uma pimenta dedo de moça picada, sem sementes e nervuras. Sem parar de mexer, deixe reduzir até engrossar. Acrescente 200g de nata (creme de leite fresco) e misture bem. Polvilhe tomilho limão.
5. Monte o prato conforme a foto, decorando com um ramo de tomilho limão.

Querendo mais cruzeiros, A Coruña (Espanha) reduz entre 25% e 50% taxas portuárias de amarração, reboque e praticagem

Terminal de Cruzeiros de A Coruña, Espanha

Redução das taxas portuárias em A Coruña visa atingir a meta de 150.000 turistas de cruzeiros em 2013 (medida que no Brasil certamente tornaria mais competitivos destinos como São Francisco do Sul, SC).

Mais de 95% dos hóspedes que desembarcam permanecem nas ruas locais para visitar monumentos, fazer compras ou consumir em seus restaurantes, sem abandonar a cidade.