quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

CERTIFICADO DE SEGURANÇA DO TERMINAL DE PASSAGEIROS DO PORTO DE SANTOS É CASSADO


O site Segurança Portuária em Foco informa que os Membros da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis - CONPORTOS, na Reunião Ordinária realizada em 10 de dezembro de 2015, deliberaram cassar a Declaração de Cumprimento à CONCAIS S/A – Terminal de Passageiros do Porto de Santos, que estava em vigor desde 2005.
Dessa forma, a CONCAIS fica impedida de emitir a Declaração de Proteção, disposta na Resolução nº 33/2004-CONPORTOS, se solicitada por qualquer comandante de navio.
Auditoria 
Em auditoria realizada no dia 27 de abril, por integrantes da Secretaria Executiva e Membros da CONPORTOS; por Membros da Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis, no Estado de São Paulo - CESPORTOS/SP; e pelo Representante da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), foram constatadas uma série de não conformidades no que concerne à efetiva implantação do Plano de Segurança Pública Portuária, aprovado pela CONPORTOS, o que afeta o sistema de segurança da instalação.
Segundo a CONPORTOS, apesar de ter sido novamente notificada no mês passado, a instalação portuária permaneceu silente e inerte, não podendo alegar impedimento ao direito de defesa e ao contraditório.
IMO foi notificada
A cassação foi notificada à Comissão Coordenadora dos Assuntos da Organização Marítima Internacional - CCA/IMO, perante o Ministério da Defesa / Comando da Marinha, para as baixas devidas da razão social da instalação portuária na Organização Marítima Internacional (IMO), em Londres, Inglaterra; à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ); à Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP) e à Casa Militar da Presidência da República.
Fonte:

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

ANTAQ interdita terminal de cruzeiros em Búzios (RJ)


Decisão faz justiça a Porto Belo (SC), que tem terminal de cruzeiros 100% regularizado e ao outro terminal de cruzeiros de Búzios, a Marina Porto Veleiro, privado, também com a documentação em dia.

Por haver esta outra alternativa em Búzios, de qualidade muito superior à pública e com custos menores aos navios, não haverá prejuízos ao receptivo de cruzeiros no famoso balneário fluminense, pois as empresas marítimas simplesmente transferirão as operações já programadas, iniciativa já tomada pela Pullmantur com o Empress.

Através do Ofício nº 000497/2015 – URERJ/ ANTAQ, dirigido ao Capitão dos Portos da Marinha do Brasil – Capitania dos Portos Rio de Janeiro, a ANTAQ, comunicou à Prefeitura de Búzios “decisão administrativa cautelar de interdição das operações de apoio ao embarque e desembarque de passageiros das embarcações de cruzeiros marítimos que utilizam as instalação portuária identificada como Cais do Centro de Armação dos Búzios”.

Devido à situação precária e irregular do referido equipamento náutico, a Associação Comercial de Búzios por seu turno, promoveu Ação Civil Pública buscando a mesma interdição.

MSC Cruzeiros terá ilha exclusiva no Caribe


O projeto visionário foi oficialmente anunciado esta semana em Nassau, capital das Bahamas, onde o primeiro ministro Perry Christie e o Presidente Executivo da MSC Cruises, Pierfrancesco Vago, assinaram contrato de arrendamento de 100 anos de Sandy Cay que permitirá à MSC ocupar e desenvolver a ilha, a ser chamada de Ocean Cay MSC Marine Reserve.

Ao longo dos próximos dois anos, a MSC vai trabalhar em conjunto com o Governo e ecologistas das Bahamas para desenvolver o Cay, dentro de uma reserva marinha, buscando coexistir em harmonia com o ecossistema local. 

O projeto pretende transformar a base da economia local de exploração de recursos para a conservação de recursos.
 
Em consonância com o compromisso da empresa em fornecer cruzeiros de férias absolutamente autênticos, a ilha vai oferecer algumas das melhores praias do mundo, em meio a uma série de experiências de inspiração caribenha.

Pierfrancesco Vago, Presidente Executivo da MSC Cruises, afirmou que “este é um progresso natural para a nossa companhia, que está crescendo muito rapidamente, e estamos muito entusiasmados por podermos proporcionar esta experiência totalmente nova no Caribe aos nossos passageiros.”

Além da experiência única de reserva marinha numa ilha privada, com 38,5 hectares, e com 3,5 quilómetros de praia preservada, distribuídos por seis praias distintas, a Ocean Cay MSC Marine Reserve será o maior investimento numa ilha por uma companhia de cruzeiros no Caribe, em um total de US$ 200 milhões.

Os passageiros da MSC Cruzeiros terão a possibilidade de desembarcar do navio directamente em um porto turístico na ilha. 

Todas as instalações e experiências na ilha, situada a 32 quilômetros a sul de Bimini e apenas a 104,5 quilômetros a leste de Miami, Florida, serão totalmente harmônicas com a cultura e as tradições das Bahamas.

Prevê-se que o investimento em Sandy Cay irá levar 465.000 passageiros de cruzeiros adicionais anuais às Bahamas, gerar US$ 20 milhões em salários durante as obras e criar mais de 600 novos empregos na construção civil, 250 em tempo integral, durante um período de dois anos. Com o início das operações, criará 361 novos postos de trabalho permanentes adicionais, que, juntamente com as operações de Nassau da MSC, irá gerar um adicional de US$13 milhões em salários e impostos anuais às Bahamas.

As comodidades incluem lojas, restaurantes, comércio e espaços de lazer, incluindo um anfiteatro, entre outras comodidades. MSC também está desenvolvendo uma reserva marinha em Sandy Cay, oferecendo experiências únicas de mergulho para os hóspedes da ilha.

Os planos futuros apontam para o desenvolvimento de um Yacht Club e Spa, bangalôs privados, cabanas de massagem, lagoas, bem como uma marina para mega-iates. Incluem escritórios para um dock master e para Alfândega e Imigração das Bahamas.

A MSC Cruzeiros prevê iniciar os desenvolvimentos na ilha em Março de 2016 e a Ocean Cay MSC Marine Reserve será aberta aos passageiros em dezembro de 2017.


domingo, 13 de dezembro de 2015

Cruzeiros: em Cabo Frio (RJ) o prefeito promete e cumpre!


Cabo Frio (RJ) fez seu dever de casa, construiu um píer para tenders de cruzeiros há alguns anos e este ano realizou estudos com recursos próprios, por cerca de R$150 mil, para novos pontos de fundeio (tenho o contato do ex-oficial de marinha que os realizou) e o resultado veio. 

Lá, ao menos nesse assunto, o prefeito busca se assessorar com quem entende e, a baixo custo, cumpre o que promete! 

Já Cesar Jr, prefeito de Florianópolis (SC), em recente cerimônia oficial, cometeu que nada fez pela infraestrutura para cruzeiros na capital catarinense pois teria concentrado esforços no trapiche para os pescadores artesanais da praia do João Paulo (ainda mero projeto, sem obra licenciada ou licitada). 

Uma deslavada mentira populista que esconde bandeira oculta, pois um projeto não compete em verbas com o outro. 

O que ocorreu, é que o prefeito irresponsavelmente cedeu ao anacrônico lobby corporativo contra os cruzeiros em Florianópolis, preferindo não honrar sua palavra de resolver esta situação vergonhosa para a capital como destino turístico global, que ceifa receitas, empregos e tributos e nos faz perder competitividade. 

Estivéssemos já a receber cruzeiros, sobrariam recursos para implantar trapiches para nossos pescadores artesanais, não só na praia do João Paulo, como também na Ponta do Coral, em Santo Antônio, em Sambaqui, Ratones, Cachoeira do Bom Jesus, Ingleses, Barra da Lagoa, Pântano do Sul,  Ribeirão da Ilha e outras comunidades tradicionais de pescadores abandonadas pela atual gestão. 

Revela-se um político covarde e pusilânime ao usar nossos pescadores como bucha de canhão para justificar sua falta de vontade política para com os cruzeiros marítimos.

Eis os generosos frutos para a comunidade - em infraestrutura, qualificação, dinamização da economia - que Cabo Frio está colhendo:

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Terminal de cruzeiros de US$13 milhões para Ushuaia


Projeto aponta construção e operação de um terminal de cruzeiros de US$ 13 milhões em Ushuaia, no extremo sul da Argentina.

Informações são do portal Sur 54.

Terminales Rio de la Plata SA (TRP), empresa que será responsável pela gestão do terminal, tem como sócios a árabe DP World, o Fundo de Infraestrutura da América Latina e outros parceiros internacionais.

Formam uma das principais operadoras do mundo, com 45 terminais de contêineres em 29 países, incluindo, em Buenos Aires, os terminais portuários 1, 2 e 3 e o terminal de cruzeiros Quinquela Martin. No Brasil, operam em Santos, em parceria com a Odebrecht, o terminal de conteineres Embraport, o maior do país.

"A sinergia entre o referido terminal e Ushuaia vai aumentar o fluxo de passageiros e melhorar as condições atuais no fim do mundo", explicaram.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

The Falcon of Doha: terminal de cruzeiros estado da arte


Dos mesmos arquitetos Riccio+Maciejowsky, de Amber Cove, terminal de cruzeiros da Carnival recém inaugurado na República Dominicana, entre outros grandes projetos náuticos, The Falcon of Doha, no Qatar, pretende ser um "destino dentro de um destino".

A primeira fase do The Falcon de Doha irá incluir o porto de escalas capaz de lidar com até três megaships, a mesquita principal, mercado souk.

A segunda fase vai abranger um estádio de futebol subterrâneo (que poderia ser usado para a Copa FIFA 2022 e para Jogos Olímpicos), parques, praias, hotéis, uma marina, residências, um museu e um aquário.

E a terceira fase receberá centro de convenções, beach club, parque aquático, parque de esportes, residências à beira-mar e muito mais.

A área total será de 3.049.998.327m2, dos quais um terço existe hoje e dois terços serão criados a partir de dragagem e aterro. A área total construída é estimada em 8.918.692m².

Riccio afirmou que cada componente do The Falcon de Doha será altamente gerador de receita, incluindo cerca de 200.000 passageiros de cruzeiros esperados para chegar durante o primeiro ano de operação.

Quando concluído, The Falcon de Doha será capaz de lidar com até seis mega navios ao mesmo tempo e seis milhões de passageiros por ano.

O Qatar também poderá usar os navios como hotéis temporários durante a Copa FIFA 2022, em vez de ter de construir 6.000 quartos de hotel, de acordo com Riccio.

O porto estará diretamente ligado ao novo aeroporto, através de um túnel subaquático sob o canal de acesso.

Após apresentado ao Sheik do Qatar, se tudo der certo, Riccio disse que a construção poderia começar em meados de 2016 e ser concluída 2020.

Fonte:

domingo, 6 de dezembro de 2015

A Florianópolis náutica de 1911 - por Annibal Amorim


Em infindável pesquisa sobre o Porto de Florianópolis, deparei-me com o diário de Annibal Amorim, escrito a bordo do vapor "Saturno", navio de cargas e passageiros do Lloyd Brasileiro que escalava a capital catarinense.

A obra, com mais de quinhentas páginas, é um monumental guia de viagem sobre o Brasil da época. 

Escrito em prosa elegante, poética, traz ao presente informações históricas muito interessantes. Faz-nos viajar no tempo!


Annibal nasceu na vila de Coração de Maria, Bahia, a 17 de agosto de 1876. Abraçou a carreira das armas. Além dos cursos militares, tem ainda o diploma de engenheiro civil. Poeta, escritor e jornalista. Autor de "Viagens pelo Brasil", publicado pela editora Garnier, com 80 ilustrações, em 1917.

Destaco trecho, no português da época, sobre a escala na capital catarinense, em 1911, nos últimos dias de abril:

Florianópolis. 4 horas da tarde. A cidade levanta-se na parte media do estreito, entre o mar e o montanha, sobre que repousa grande parte de suas edificações. Defronte da capital o estreito tem apenas uma largura de 350 metros. 

A barra do norte dá entrada franca aos maiores navios, que passam entre a ponta do Rapa e a ilha do Arvoredo.

Não só a amenidade do clima, senão também a própria situação geographica da ilha, foram motivo da ambição de alguns paizes estrangeiros, na época da colónia.

Diaz de Solis, o descobridor do Rio da Prata, foi também o descobridor da ilha de Santa Catharina, no anno de 1515 (segunda viagem). Solis estava ao serviço de Hespanha, e procurava, pelo sul da America, um caminho para as índias.

A essa ilha deu elle o nome de ilha dos Perdidos. A esse tempo era ella habitada pelos Índios Carijós, que lhe chamavam Juriré-Mirim.

Mais tarde, recebeu a denominação de ilha dos Patos, por causa do grande numero de Índios Patos que alli havia, emigrados das margens da lagoa que tomou o nome da tribu.

Os bandeirantes paulistas, ousados caçadores de ouro e de Índios, quando chegaram áquella ilha, em melados do século XVII, já alli encontraram os jesuítas. 

O colono Francisco Dias Velho Monteiro (1650), um dos fundadores da actual Florianópolis, construiu a capella de Nossa Senhora do Desterro. Velho Monteiro deu á ilha o nome de Santa Catharina, em homenagem á Catharina, sua filha mais velha. Esse nome tornou-se extensivo, mais tarde, a todo o território da antiga província.

O desembarque, em Florianópolis, é ainda primitivo. Vê-se alli uma velha ponte de madeira, com uma escada, junto a qual atracam botes e lanchas a gazolina, conduzindo passageiros. 

Em soprando fortes ventos, as aguas do estreito se agitam, e o desembarque é bastante desagradável. 

A cidade conta 18 mil habitantes. A primeira impressão que della se recebe é favorável. 

Salta-se na praça Quinze de Novembro, regularmente arborizada. Na parte mais elevada da mesma praça vê-se um passeio publico, com grades de ferro, bancos e coreto para musica. No centro do logradouro, ergue-se o monumento aos voluntários da Pátria.

É de alvenaria e, nas suas faces, lêm-se os nomes dos catharinenses mortos na guerra do Paraguay. 

Na praça Quinze de Novembro, notam-se os cafés Natal, do Commercio e Popular, bastante frequentados á noite, pela gente que se diverte. 

Chamam a attenção uns tantos hábitos smarts do Rio de Janeiro : pequenas mesas pelas calçadas, onde se tomam refrescos e sorvetes; ha illuminação eléctrica e agua canalizada. 

Não ha porém ainda rede de esgotos, muito mais necessária do que lâmpadas de arco voltaico. 

As ruas são estreitas, á moda e gosto da colónia. Algumas são bonitas e bem construídas, como a Conselheiro Mafra, a Esteves Júnior, a Marechal Deodoro, a Tenente Silveira e a Jeronymo Coelho. 

A praça Pereira de Oliveira tem arborização. A General Ozorio, onde se acha o quartel do 54.° de Caçadores, é velha e feia. 

O Palácio do Governo, o do Congresso, o Lyceu de Artes e Officios, o Hospital de Caridade (na encosta da montanha), o theatro Álvaro de Carvalho, o Tribunal de Relação, a Intendência Municipal e o Banco de Porto Alegre, são edifícios de construcção moderna.

Uma pequena linha de bondes parte do trapiche Rita Maria e vae até á estação agronómica, servindo as ruas mais centraes.

A cidade dispõe de um gymnasio, onde se ministra a instrucção secundaria. 

O grande commercio é allemão, e dentre as casas allemãs destaca-se, pela sua importância, a de Carlos Hoepeke, que mantém uma linha de vapores entre Florianopolis e Laguna.
Hotéis: o Grande Hotel e do Commercio, que são os mais dignos de nota. Nelles se comem excellentes camarões, prato vulgar em Santa Catharina, que bem poderia chamar-se o paiz dos cama-
rões.
Clubs: o Musical, o Beethoven, o Dezeseis de Abril e o Doze de Agosto. 

Jornaes : O Dia e a Folha do Commercio.

Igrejas : a cathedral e a de São Francisco. 

Guarnição federal : o 54.° de Caçadores e o 8.º de Artilheria de Posição, ambos mal aquartelados. 

Força poLicial : um batalhão de infanteria e um esquadrão de cavallaria.

Ha um asylo de mendicidade. 

Arrabaldes: Praia de Fora, onde
nasceu o grande poeta Luiz Delfino, e Matto Grosso. 

Praia de Fera é um logar encantador, uma espécie de Copacabana, em ponto pequeno, com as suas chácaras, suas vivendas elegantes, rodeadas de bellos jardins, com grades de ferro, cobertas de trepadeiras; repuxos de aguas cantantes, acima dos gramados, e caminhos a macadam.

Um recanto delicioso de Florianópolis. É uma compensação para os olhos que, dias antes, viram cidades carunchosas e decrépitas, como Paranaguá, Antonina e São Francisco.

Do outro lado do estreito, no continente, fica a cidade de S José. Perto della, o arraial da Palhoça. 

O Estado de Santa Catharina, sendo um dos mais bem favorecidos pela natureza, é, entretanto, um dos mais pobres. Podendo exportar tudo, quasi nada exporta. A sua maior exportação consiste em bananas para o Rio da Prata. Vende a outros Estados, mas em pequena escala, lacticínios, farinha e cereaes.

Florianópolis não tem mais para onde expandir-se. Se outra fosse a prosperidade de Santa Catharina, já de ha muito a sua capitai estaria ligada ao continente por uma ponte metálica, meio giratória.

A população derramar-se-hia do outro lado do estreito, lembrando
Constantinopla e Scutari, da outra banda do Bosphoro, em território asiático. 

Quem sabe se, dentro de 20 annos, esta fantasia não será uma agradável realidade para os catharinenses?
Para completar a obra. uma estrada de ferro de S. José a Lages canalizaria para Florianópolis toda a producção de uma das regiões mais ricas do Estado. A construcção dessa linha acaba de ser contratada pelo governo estadoal. 

É para notar como em Santa Catharina, as populações de origem germânica, muito mais moças que as de origem portugueza e brazileira, prosperam muito mais rapidamente que estas. 

Basta ver Blumenau, colónia que o Dr. Hermann Blumenau fundou, em 1850, e que é hoje uma cidade maior e mais adeantada que Florianópolis, fundada, como já se disse, em melados do século XVII. 

Este parallelo é desfavorável para nós. Serve, todavia, para mostrar o quanto nos distanciamos dos allemães, no espirito de iniciativa, na ordem, na perseverança e até no bom gosto das coisas. As povoações germânicas deveriam de ser um modelo a imitar pelas povoações brazileiras, que na estrada larga do progresso marcham a passo de cagado.
Blumenau e Joinville são as duas cidades mais bellas e mais prosperas de Santa Catharina, graças ao génio da raça teutonica.

E ainda ha quem maldiga o estrangeiro, num paiz despovoado como o Brazil, onde o mestiço muito pouco faz, tendo, como aspiração máxima, um emprego vitalício e a posse de uma mulher, moça e bonita. 

O futuro de Santa Catharina está nas mãos de seus homens públicos, que quizerem fazer mais administração que politica, olhando o exemplo de S. Paulo, o Estado modelar da Federação Brazileira.
Dia 24. Segunda-feira. Manhã nevoenta. O thermometro centígrado marca 23°.
Dormimos no porto de Florianópolis. O vapor ainda aqui passará o dia, descarregando e recebendo carregamento de bananas e farinhas para o Rio da Prata. 

Baixo a terra, a ver mais demoradamente a cidade. 

Hontem, domingo, musica nos jardins, muita gente. Hoje menor movimento. Lanchas e catraias, encostadas á beira do cáes. Outras, de velas entumescidas, atravessam o estreito, rumo de São José. Hontem, á noite, chegou o Jupiter, vindo do Rio Grande. Sae hoje, á tarde, para o Rio de Janeiro. O Florianópolis, também chegou hontem, e hontem mesmo saiu. Veio da capital da Republica, e seguiu para Porto Alegre. 

A antiga Desteno, vista, á noite, de bordo, offerece um bello espectáculo.

Em ponto grande, lembra um presépio, em noite de Natal, na Bahia. Luz, á beira da praia, e luz na encosta da montanha. 

Gastámos seis dias do Rio a Santa Catharina. Já é andar! 

Cada navio do Lloyd é um pedaço ambulante da alma brazileira. O Saturno é um symbolo.
Dia 25. Choveu pela madrugada. Choveu e trovejou. Céo nublado.

São 6 horas da manhã. O ar húmido do amanhecer é ferido por um som agudo e vibrante. É o signal da partida. Vamos deixar Florianópolis, com destino ao Rio Grande. O vapor desloca-se, pouco a pouco, deixando um rastro de espumas nas aguas turvas do estreito.

No convéz, passageiros, de binóculos assestados, observam a cidade, mal desperta, e cujo pudor é apenas entre velado pela gaze de névoa que a envolve, nesta triste manhã de abril a findar. 

Do outro lado, no continente, a cidade de São José, lento e lento, desapparece. A Santa Casa de Misericórdia e a Cathedral de Florianópolis são os últimos vestígios que o meu binóculo pôde alcançar.

Fonte: