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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

RANCHOS DE PESCA DESABAM E IBAMA CONSIDERA INSEGURO MODELO DE PROJETO ELABORADO PELO IPUF


Em ação de desapropriação promovida pelo DEINFRA - Departamento Estadual de Infraestrutura, na Justiça Federal de Santa Catarina (Processo de nº , contra uma família de pescadores profissionais artesanais, por nós atualmente defendida, que há mais de sessenta anos reside e tem seus ranchos de pesca sob a cabeceira continental da Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, as partes entraram em acordo e o órgão estadual comprometeu-se a construir novos ranchos próximos aos atuais (mas fora da área de segurança da obra da ponte, que está sendo restaurada), e a entregá-los em condições de uso, e novas residências não muito distantes dos ranchos, em atenção ao território pesqueiro tradicional dos envolvidos. 

O DEINFRA, para evitar eventuais embargos da obra dos ranchos pela Prefeitura, usou projeto arquitetônico por ela adotado como modelo de rancho de pesca, de autoria do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis - IPUF (detalhe na imagem).

Porém, no último dia 16/11, quando estavam praticamente prontos, os ranchos simplesmente desabaram, sendo reerguidos, com reforços, alguns dias depois, mas deixando um mar de dúvidas quanto à segurança estrutural, o que gerou protestos nos autos tanto por parte dos pescadores quanto do Ministério Público Federal - MPF, que atua no processo.

Por tal razão, requeremos ao juiz da causa, pela família de pescadores, que determinasse ao DEINFRA "apresentação de laudo técnico, com ART, contendo alvará de construção, planta topográfica identificando os ranchos e a respectiva área de manejo, memorial descritivo dos ranchos e atestado técnico garantindo a segurança da obra quanto à sua estrutura e instalações elétrica e hidráulica".

O desabamento foi noticiado pela imprensa:


A fim de dirimir tais dúvidas, o IBAMA, a pedido do MPF, analisou o projeto e foi taxativo quanto às falhas do rancho de pesca projetado pelo IPUF para servir de modelo em Florianópolis, expressando-se nos seguintes termos: 

As colunas, que fazem a transferência da carga das treliças para as fundações têm ligações simples de forma que não podem serem consideradas como ligações rígidas. Nesta configuração, faz-se necessária a implantação de algum elemento estrutural que garanta o contraventamento da estrutura, especificamente, algum arranjo que impeça a rotação dos nós (ligações) superiores das colunas, que devido à baixa rigidez devem ser consideradas como rótulas (ligações sem restrição ao torque). 

Na prática, a rigidez da estrutura aos esforços horizontais transversais acaba sendo conferida pelos elementos de vedação (paredes de madeira) nos pórticos frontais e anteriores do rancho, sendo que tais elementos (paredes) não devem ser considerados para fins de função estrutural. A estabilidade da estrutura deve ser garantida pelos elementos reticulados dos seus pórticos tipo. 

O modelo definido no projeto arquitetônico é hipostático, em face da ausência de um elemento estrutural que impeça a rotação da ligação superior das colunas. 

No caso em análise, o construtor após o evento de instabilidade relatado pelos pescadores, adicionou uma barra entre o topo das colunas e as barras inferiores das treliças da cobertura tornando a estrutura isostática:


No sentido longitudinal da estrutura não se verifica elementos de contraventamento entre os pórticos, de forma que a rigidez aos esforços horizontais no sentido longitudinal da estrutura acaba sendo conferida pelos elementos de vedação (paredes), o que não é recomendável.
As ligações entre os elementos reticulados da estrutura dá-se preponderantemente através de pinos. 

Na presente análise, expedita, não foi analisada a rigidez ou resistência das ligações, bem como a magnitude das ações previstas sobre a estrutura, de forma que tais informações devem ser objeto de avaliação pelo profissional responsável tecnicamente pela mesma, inclusive para justificar o modelo estrutural proposto.

A conclusão do IBAMA coincide com o requerimento que formulamos nos autos:

Desta forma, a sugestão que se faz ao Ministério Público Federal é que requisite do órgão responsável pela edificação a apresentação de laudo acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica, por profissional habilitado, que ateste a segurança da estrutura e a qualidade dos materiais empregados.

Por esta entre outras razões, o MPF já avisou que irá recorrer contra decisão que, por entender cumprida pelo DEINFRA sua parte no acordo, fixou prazo exíguo (de 24h, alterado depois para 5 dias - após um pedido de reconsideração formulado pelos pescadores) para que a família, "sob pena de aplicação de pena de multa de R$ 10.000,00 e utilização da força policial", desocupe a área sob a ponte e transfira seus instrumentos de trabalho para os novos ranchos de pesca.

Ocorre que não há qualquer garantia de que no prazo fixado pelo juiz os ranchos estejam em plenas condições de uso, vale dizer, com estrutura segura, abastecidos por água e energia elétrica e com área de manejo em seu entorno liberada para uso da família.

Se tais condições não estiverem presentes ao fim do prazo fatal, é certo que os pescadores também irão recorrer na defesa do seu território pesqueiro e do regular e digno exercício das suas atividades profissionais.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Governo Federal ataca ranchos de pesca em Florianópolis!


Em São Sebastião (SP), a Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), vem realizando vistorias integradas com a SPU (Superintendência do Patrimônio da União) em ranchos de pesca do município.

A ação objetiva a regularização e também a possibilidade de concessão de espaço para implantação de novos ranchos de pesca. 

Representantes do Departamento de Pesca da secretaria, e agentes da SPU, vinculada ao Ministério do Planejamento, conferiram as condições nos ranchos já existentes e examinaram locais apontados por pescadores para possíveis novos ranchos em São Sebastião.

Os ranchos de pesca, esclarece release da própria Prefeitura de São Sebastião, são construções que servem para o armazenamento de pequenas embarcações e material de pesca. 

Por serem construídos em faixas de terrenos de marinha, são acompanhados pela SPU, que tem a responsabilidade do gerenciamento deste perímetro. 

Em paralelo, a Prefeitura de São Sebastião atua com trabalho de fiscalização e orientação à comunidade pesqueira local.

Meu bisavô em 1921 fundou a primeira Colônia de Pescadores de SC, a Z-2, em São Francisco do Sul, sob os auspícios da Marinha do Brasil e sob coordenação direta do comandante Frederico Villar. Foi notável parceria entre o Governo Federal da época e nossos pescadores: mantinha 14 (quatorze!) escolas.

Em sua obra Fagulhas (1927), meu bisavô, com sua expressão superior, aos 41 anos, descreve o contexto no qual a "Z-2" foi fundada, seis anos antes:

"No município de São Francisco, restrito campo das minhas observações pessoais, desde que me foi confiada, por Frederico Villar, a incumbência de organizar uma colônia de pescadores, oferece aspectos verdadeiramente alarmantes a importante questão social que, em virtude da sua complexidade, só poderá ser solucionada no curso de algumas gerações, mediante o emprego sistemático de medidas governamentais ou de iniciativa particular."

Além da assistência médica e farmacêutica gratuitas, da criação de asilos para órfãos e mendigos, o fundador da Colônia de Pescadores Z-2 dá destaque a:

"- difundir a instrução entre as aludidas populações, proporcionando-lhes, desse modo, o conhecimento da sua própria situação;

"- incentivar o cooperativismo;

"- estimular, enfim, por todos os meios e modos, o trabalho destes nossos patrícios, cujas qualidades intrínsecas de caráter, são de molde a construir segura garantia de que poderão eles tornar-se ainda elementos úteis à Pátria e prestimosos colaboradores do engrandecimento nacional."

Porém, nos dias de hoje, em Florianópolis, temos isto:


Diversos pescadores artesanais da praia do João Paulo sendo notificados de forma agressiva pela SPU por conta de ranchos supostamente irregulares. Ou seja, ao invés de o Governo Federal na atualidade, respeitando as comunidades tradicionais, promover um concerto institucional em linha com a Prefeitura, procedendo ao cadastro, "separando o joio do trigo", propondo rancho padrão através de Termo de Autorização de Uso Sustentável para quem viva da pesca ou tenha nela sua principal ocupação, a SPU enfia os pés pelas mãos e toca o terror, com todo o peso estatal, nos nossos pescadores, com notificação escrita de forma incompreensível pela gente simples do mar! 

Estamos agendando reunião com toda a comunidade pesqueira do local, a segunda maior de Florianópolis, para o devido encaminhamento jurídico-institucional. 

Sorte que lá há uma grande e iluminada liderança: Silvani Ferreira, presidente da Associação dos Pescadores Artesanais do João Paulo. 

Também já estamos articulando com o presidente da Comissão de Pesca e Aquicultura da Câmara Municipal, vereador Vanderlei Farias, com vistas a uma agenda urgente na SPU e na Prefeitura.
Pescadores em pânico: sem rancho não há como guardar em (relativa) segurança os petrechos de pesca e, sem pesca, como vão sobreviver?

PESCADORES! A regularização de residências, ranchos e estaleiros em praias e terrenos de marinha é possível! 

Bastaria a SPU ter articulado com a Prefeitura de Florianópolis ação social com vistas ao disposto na Portaria 89/2010.

Estamos atentos, também, para o fiel cumprimento pela SPU do rito administrativo estabelecido por seu Manual de Fiscalização, com atenção especial desde a página 81 até 111.

Isto no que referido Manual não conflitar com a Constituição da República e a Lei 9.974/1999 - que estabelece o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração - entre outras normas hierarquicamente superiores.
Eventuais dúvidas, favor enviar mensagem para ernestosaothiago@hotmail.com ou via Whatsapp/SMS (torpedo) para (48) 9949.9613