terça-feira, 13 de outubro de 2009

ATUALIZADO - Relatório do WTTC. Turismo Náutico catarinense: entre o atraso e os novos tempos

O precaríssimo trapiche da praia de Canasvieiras, que tem servido de "porto turístico" em Florianópolis (SC), logo depois de ter sua ligação à terra varrida por uma ressaca. E se houvesse cruzeiristas em operação de embarque e desembarque?! - foto: www.flagrantesdocotidiano.blogspot.com

A moderna proposta da Marinas do Brasil - www.marinasdobrasil.com.br - para um porto turístico de operação remota (através de tenders), em Florianópolis (SC). É uma solução intermediária até que a região sob indução turística da capital catarinense tenha um porto turístico de atracação, que a elevará da inadequada condição de porto de escalas (port of call) a porto de embarque e desembarque (home port), conforme projeto que está sendo desenvolvido (vide http://www.portoturistico.com.br/). Ocorre que mesmo este simples píer não sai do papel em razão de "forças ocultas" locais.

A coluna Informe Econômico do Diário Catarinense de 12.10, traz a seguinte nota:

Por mais turistas

Embora o relatório do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) entregue ao governador Luiz Henrique elogie a participação do turismo na economia do Estado, vários empreendimentos do setor amargam dificuldades em função da falta de turistas.

Entre os obstáculos estão a crise global, o dólar baixo que leva a classe média a optar mais por viagens ao Exterior e a concorrência de navios transatlânticos.

Em resposta enviei a seguinte mensagem:

Prezada jornalista Estela Benetti,

Se o relatório do WTTC, mencionado na referida nota, apontou as deficiências infra-estruturais que impedem SC de desenvolver plenamente seu potencial no Turismo, certamente deve ter merecido destaque a falta de portos turísticos para transatlânticos em pelo menos meia dúzia de cidades do litoral catarinense, especialmente na Grande Florianópolis.

Do contrário este estudo estaria incompleto!

Os turismólogos afirmam que o Turismo Náutico, além de trazer milhares de turistas nacionais e estrangeiros a bordo dos transatlânticos, é um grande propulsor da hotelaria, tanto nos destinos de embarque e desembarque definitivos (imediatamente), quanto nos de escalas (a médio e longo prazos).

De fato, estudos internacionais indicam que os turistas hospedam-se nas cidades de início e fim dos cruzeiros, antes ou depois deles, por até 3 dias, ou retornam tempos depois às escalas rapidamente visitadas que mais lhes agradaram, para hospedarem-se por mais tempo.

De um modo ou outro, os meios de hospedagem saem beneficiados com a tal "concorrência de navios transatlânticos", acusada por você em sua nota.

É preciso dizer: as pesquisas indicam que os passageiros de cruzeiros e os habitués de resorts são públicos distintos que buscam produtos claramente diferentes entre sí. É mínimo o percentual de turistas a bordo que fez uma opção: sequer cogitaram de ir a um resort, pois buscaram mobilidade entre vários destinos, o prazer de estar em alto mar, não o confinamento em terra.

Ademais disto, 80% dos americanos, por exemplo, utilizam os cruzeiros como um "menu de degustação" de destinos, com índice de retorno superior a 50%!

Não por acaso, no próximo mês, em Londres, pela primeira vez os Cruzeiros Marítimos estarão com grande destaque no World Travel Market (WTM): é o segmento que mais cresce no mundo!

Portanto, ao invés de ficarem falando em concorrência, certos setores retrógrados da hotelaria, notadamente localizados entre os donos de resort, deveriam baixar os preços exorbitantes das diárias que praticam, modernizar suas instalções, muitas delas decadentes e com manutenção deficiente, profissionalizar a gestão e buscar sinergias com as companhias de cruzeiros.

Já sintonizados com este novo tempo, meios de hospedagem e entretenimento estão buscando parcerias com os cruzeiros em vários destinos brasileiros (como Rio e Santos) e ao redor do mundo (como Lisboa).

Que Santa Catarina não dê ouvidos a supostos líderes empresariais, parados que estão no tempo, de olho apenas em seus mesquinhos interesses, pois o Nordeste, mais uma vez representando a vanguarda do Turismo, vem investindo pesadamente em novos e modernos portos turísricos.

O resultado é que os navios da Royal Caribbean voltaram suas proas para lá, acarretando perdas econômicas milionárias ao litoral catarinense, tudo por culpa de certos hoteleiros, ícones do atraso, a quem você infelizmente deu espaço e voz na sua prestigiada coluna formadora de opinião, até agora sempre tão antenada com o progresso e com as necessidades urgentes do nosso Turismo. Uma pena...

Fraternalmente,

Ernesto São Thiago
Diretor para a Região Sul
Enviado do meu celular Nokia
ATUALIZAÇÃO

Com agilidade surpreendente a jornalista Estela Benetti publica hoje (13.10), na mesma coluna, o seguinte registro, que agradeço penhoradamente:

Transatlânticos

O diretor da Brasilcruise para a Região Sul, Ernesto São Thiago, discorda de nota publicada ontem por esta coluna, de que os transatlânticos tiram hóspedes dos resorts.

Segundo ele, os navios de cruzeiro, além de trazer milhares de turistas a bordo, são grandes propulsores da hotelaria, tanto nos destinos de embarque e desembarque definitivos, quanto a médio e longo prazos. Isto porque muitos turistas retornam.

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