terça-feira, 26 de maio de 2015

Cruzeiro abre novo mercado emissor para a Jordânia


O Quantum Of The Seas, gigantesco navio de cruzeiros da Royal Caribbean com capacidade para quase 5.000 passageiros e 1.500 tripulantes, cruzou o Canal de Suez lotado de turistas da Índia e do Leste Asiático, levando ao  "triângulo de ouro do turismo" da Jordânia - Aqaba, Petra e Wadi Rum - novo grupo de turistas, diferente dos que tradicionalmente visitam a região.

Sharhabeel Madi, comissário da Autoridade da Zona Econômica Especial de Aqaba (ASEZA), disse ao The Jordan Times que "este é um novo mercado de turistas, pois nosso visitantes normalmente vêm da Europa e América", observando que ele foi a primeira vez que a Jordânia recebe este número de turistas em um cruzeiro.

Madi destacou a importância da visita, que durou 48 horas, para atrair mais visitantes para a Jordânia, promovendo-a como um país seguro em uma região de turbulência política.

O cruzeieo ofereceu aos turistas a oportunidade de desfrutar das praias de Aqaba, da paisagem do deserto de Wadi Rum e da milenar cultura de Petra, proporcinando grande impulso à atividade econômica nos três locais durante a visita.

O grande número de turistas "ativou notavelmente" os negócios em locais turísticos, restaurantes e lojas de souvenirs, observou Madi, e os passageiros de cruzeiro interagiram com a comunidade local.

Ele informou também que, com orçamento apertado este ano, a ASEZA está contando com o setor privado de Aqaba, incluindo hotéis, restaurantes e associações, para organizar atividades culturais e de entretenimento para aumentar os gastos dos turistas.

Corner Brook (Canadá) celebra início da temporada de cruzeiros


Ainda faz frio no Canadá, mesmo assim, com o início da temporada de turismo, os cruzeiros não param de chegar, carregados de gente querendo gastar seu dinheiro em excursões, souvenires e gastronomia local. Toda a cadeia produtiva do turismo comemora.

Confira matéria da NTV:

Um pedaço de pão


"Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade."

ESOPO? - 620? - 560? A.C.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Jamón Serrano Josep Llorens


Os produtos do Grupo Josep Llorens são produzidos nas montanhas de Girona no sul da Espanha onde o clima é muito privilegiado. Os produtos são selecionados, embalados à vácuo para manter intactos os seus aromas e sabores únicos.


Meu amigo Josep Ramon Llorens Requena enviou-me da Espanha, através da Porto a Porto, para degustação, um kit com seu delicioso Mini Jamón Serrano.

É um presunto premium de porco branco (parte traseira), finamente temperado com sal e açúcar. Acompanha prático suporte de mármore e faca.

Sabor e textura fantásticos! Todos aqui adoraram, adultos e crianças.

O ritual de fatiação encanta, bastante facilitado pela base e pela excelente faca que compõem o kit.

A dica é retirar uma fatia de gordura da lateral, grande o suficiente para cobrir toda a àrea de fatiação, mantendo assim as características do produto até o próximo uso.

Recomendo!

Terminais de cruzeiros: o Sul discriminado.


Jornalista Dagmara Spautz, do blog Guarda-Sol, que cobre Itajaí e região, fez interessante comparativo entre o investimento realizado em terminais de cruzeiros e o número de escalas, mostrando o quanto o Governo Federal favorece o Nordeste na hora de distribuir as verbas para terminais de uso privativo de turismo.

Vale conferir: 

HOTELARIA QUER ACESSO NÁUTICO


Em artigo publicado hoje (25/05) no Diário Catarinense, o jovem diretor-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Santa Catarina (ABIH-SC), Samuel Koch, atribui também à infraestrutura deficiente no acesso náutico a leve queda da ocupação hoteleira detectada na última temporada.

De fato, além de não contarmos com marinas de classe mundial com vagas destinadas a visitantes devidamente abrigadas por molhes, vivemos o absurdo de a Ilha de Santa Catarina não contar com terminal de cruzeiros, sequer de fundeio, e os demais existentes no estado estarem ainda muito longe do tamanho e da qualidade encontrados em destinos realmente competitivos.

Postando-nos de costas para o mar, sem investir em estruturas de apoio náutico e marítimo, limitando o acesso dos turistas apenas aos modais aéreo e rodoviário (também notoriamente insuficientes) estamos na contramão do desenvolvimento turístico global.

domingo, 24 de maio de 2015

"VINHO CARO É PARA OTÁRIOS"


É o que esta provocadora reportagem da Vox tenta provar, relatando casos curiosos em que até a alteração artificial de um vinho de branco para tinto passou despercebida, com experts passando a descrever percepções de olfato e paladar típicas de tintos...

E quanto o preço pode afetar sua percepção quanto à real qualidade da bebida?

Tanta ambiguidade e subjetividade não estaria distorcendo o mercado de vinhos, influenciando-nos a comprar "gato por lebre"?!

Confira. Vale muito assistir e pode lhe ajudar gastar seu dinheiro de forma mais racional...

NAVIOS E A QUALIDADE DO AR NOS PORTOS


As cruise lines vêm investindo pesado na redução da emissão de poluentes pelas chaminés de seus navios.

Mesmo assim, é crescente a disponibilização de fonte externa de energia nos portos (shore power), para que os navios possam manter seus motores desligados quanto atracados, sem prejudicar as atividades a bordo.

Juneau, Seattle, Vancouver, Los Angeles, San Diego, San Francisco, Oakland, Halifax, Hong Kong, Hamburgo, Antuérpia estão na vanguarda deste movimento que se espalha pelo mundo todo, sensível à necessidade de preservação do meio ambiente.

Cada unidade custa em torno de US$ 20 milhões para estar operando.

No entanto, testes têm indicado que a qualidade do ar nos portos em nada é prejudicada pelos navios quando atracados com seus motores ligados.

A discussão está longe de terminar.

Confira a The Maritime Executive para saber mais: http://www.maritime-executive.com/features/is-cold-ironing-redundant-now



AQUICULTURA E SUSTENTABILIDADE


Há dez anos, o Brasil comprava do Chile dez mil toneladas de salmão. Hoje, são 80 mil toneladas. É praticamente todo o salmão consumido no nosso país. O Globo Rural visitou os centros de cultivos para entender como é feita a engorda do peixe e os reflexos da criação para o meio ambiente.


Confira a matéria, bem esclarecedora, que faz refletir, guardadas as proporções, também sobre eventuais impactos da maricultura intensiva nas baías da Ilha de Santa Catarina, por conta da acumulação das fezes de ostras e mariscos no leito marinho: 




NAVIO DE CRUZEIROS QUE O RIO AMAZONAS PERDEU PODE IR PARA A NORUEGA


O Blog dos Cruzeiros traz que o navio Atlântida, adquirido de Portugal e enviado a reforma para ser operado pela cruise line Douro Azul em roteiros fluviais entre Manaus (AM) e Iquitos (Peru), poderá ser vendido por 17 milhões de euros para empresa da Noruega.

Conforme informações do Sapo, a DouroAzul o adquiriu em setembro pelo preço de 8,7milhões de euros do estado português. O navio, um ferry-boat construído nos Estaleiros de Viana do Castelo por encomenda do Governo Regional dos Açores, foi recusado por não ter as condições técnicas adequadas para assegurar as ligações entre as ilhas do arquipélago (um nó de diferença na velocidade máxima atingida). 

PREFEITO DE PUERTO CORTÉS APOSTA EM TERMINAL DE CRUZEIROS E SANEAMENTO PARA DESENVOLVER O TURISMO


O La Prensa, em matéria que me fez refletir muito sobre Florianópolis, noticia que a construção de um terminal de cruzeiros em Puerto Cortés (Honduras) vai finalmente ser uma realidade agora que o cais de cabotagem tornou-se um ativo do Município.

Honduras, na América Central, conta com praias paradisíacas, excelentes resorts e fantásticos pontos de mergulho.


O Congresso aprovou a Empresa Nacional Portuária (ENP) ceder os direitos do cais e do calçadão para que o prefeito possa desenvolver projetos de turismo que geram desenvolvimento econômico na cidade.

Allan Ramos, prefeito de Puerto Cortés, disse que há muito tempo vem pensando em desenvolver turisticamente o calçadão e pier.


"O calçadão está danificado e deve ser reconstruído para possibilitar uma área onde as famílias possam desfrutar de passeios. Nós pensamos em instalar restaurantes e que seja um local turístico para desfrute dos moradores de Puerto Cortés e de visitantes de dentro e fora do país".

Ramos disse que a construção do terminal de cruzeiros ocorrerá através de parceria público-privada.


"Estão postas todas as condições e há negociações avançadas com diferentes grupos para este desenvolvimento."

Acrescenta que para o terminal de cruzeiros é necessário um investimento de cerca L150 milhões (US$ 7 milhões)


O plano é desenvolver o projeto a curto prazo. "Uma vez concluído todo o processo jurídico de transferência do cais para o município, em ano e meio tem que estar operando", garantiu o prefeito.

Relata que em Puerto Cortés o turismo está crescendo e que esses dois projetos irão gerar desenvolvimento econômico e turístico significativo.


Escalas de cruzeiros são registradas esporadicamente para Puerto Cortés. Com o novo terminal isto tende a ser uma constante.

Ramos acrescentou que, também com o objetivo de desenvolver o turismo, trabalha em diferentes projetos, como saneamento e pavimentação. 

MAR DA CHINA TEM NOVO NAVIO DE CRUZEIROS


Xisha, no sul do Mar da China, é um arquipélago grande apelo turístico, famoso por suas lindas praias e pelo seu ecossistema virgem. 


O Xinhuanet informa que, de acordo com único operador marítimo da rota, a Hainan Strait Shipping, Um novo navio, batizado Haisi Gongzhu (Princesa da Rota da Seda, em português), mais confortável do que o navio atual, vai servir as ilhas Xisha a partir de outubro para promover o turismo de cruzeiros na região.


Ye Wei, vice-gerente da Hainan Strait Shipping, disse que a empresa já investiu 150 milhões de yuans (24 milhões de dólares) no novo navio, em acomodações para 500 passageiros, instalações gastronômicas e de entretenimento.


O cruzeiro permite aos turistas dormir a bordo do navio enquanto visitam as ilhas de Yinyu, Quanfu e Yagong, onde podem jogar vôlei de praia, mergulhar, pescar e tirar fotografias.



PESQUISA REVELA PREFERÊNCIAS DOS CRUZEIRISTAS EM TERRA


Excursões ao longo de um cruzeiro são um grande negócio, com mais e mais clientes querendo aproveitar o máximo o que puderem cada destino visitado. Isso é o que revela pesquisa encomendada pelo portal britânico Cruise, de informações do setor e vendas.

Tais excursões aparecem como a mais recente área de concorrência entre as armadoras, apelidado de "o novo campo de batalha dos cruzeiros".

Turistas experientes sabem que uma vez que se tenha feito um cruzeiro, é muito difícil deixar de fazer outro, tanto que 32% dos entrevistados já tinham embarcado outras 5 a 10 vezes. 

Esmagadoramente, os turistas querem desembarcar e explorar o destino. Por tal razão, nada espantosos 74% disseram que gostariam de mais tempo em terra durante as escalas. Apenas 0,3% escolheram passar toda a viagem a bordo e 31% informaram reservar ao menos uma excursão para cada destino visitado.

73% aprovaram as excursões oferecidas, mas acharam os preços altos. No entanto, apenas 5% disseram que não valia o dinheiro gasto, o que sugere que, embora julguem muito caras as excursões, a maioria está disposta a desembolsar o valor pedido.

Quando se trata de reservas de excursões, a principal limitação é o custo, com 45% dizendo que de fato são muito caras, seguidos por 29% que preferem não seguir as multidões, explorando os destinos por si.

Sobre o que constitui uma boa excursão, 50% disseram que deve ser bem organizada e com um guia turístico, 24% que deve valer o investimento e 20% queriam algo fora do convencional.

No futuro, 35% disseram que iriam reservar as suas excursões através da linha de cruzeiro. No entanto, os preços cobrados por elas, percebidos como elevados pela clientela, podem explicar a razão pela qual 32% dos entrevistados planejavam reservar através de operadores em terra.

58% dos turistas de cruzeiros tinham se hospedado noites extras no porto de embarque ou de desembarque, com 41% fazendo as reservas diretamente, 33% através da linha de cruzeiro e 26% através de um agente de viagens, ou seja, aqui também as linhas de cruzeiro novamente podem estar perdendo valioso negócio.

CRUZEIROS IMPULSIONAM TURISMO NÁUTICO EM COZUMEL


O Maya Sin Fronteras informa que, de 25 a 31 deste mês, a famosa Ilha de Cozumel, no México, paraíso do mergulho (já mergulhei lá, no Palancar Reef - fantástico!!!) receberá um universo de cerca de 36.000 turistas de cruzeiros, a bordo de 12 navios, realizando gastos médios por passageiro de US$ 70 na cidade, durante as poucas horas de visitação ao longo do dia.


A Autoridade Portuária de Quintana Roo, projeta impacto econômico superior a US$2,5 milhões apenas com estas rápidas escalas de visitação.


O turismo náutico em Cozumel, que oferece grande diversidade produtos (como o mergulho), irá faturar alto, assim locadoras veículos, agentes comissionados, guias turísticos, puxadores de riquixá, lojas, restaurantes, entre outros que tendem a ficar com boa parte do movimento.


Os melhores dias para as vendas serão terça-feira e quinta-feira, quando três navios de cruzeiros chegarão em simultâneo.


sábado, 23 de maio de 2015

DIREITO DA ORLA PEDE PASSAGEM


Diversas normas convergem e colidem formando base regulatória das variadas atividades econômicas na orla marítima e de águas interiores, gerando licenciamentos tão complicados quanto morosos, sanções injustas, projetos com orçamentos estourados e agravando conflitos de uso.

Criei a expressão Direito da Orla por sem pretenção inicial de inaugurar novo ramo nas ciências jurídicas, mas apenas dar nome a este ambiente confuso em que venho militando como advogado e consultor em desencolvimento náutico no últimos anos.

Se o Direito da Orla vai se consolidar como denominação de novo ramo jurídico ou se ganhará status científico, como disciplina autônoma, só o tempo dirá.

Porém, dada a evidente importância ue tem, no mínimo, para a comunidade catarinense, fica o desafio de, ao menos, ser acolhido pela OAB/SC identificando comissão que dê lhe dê vez e voz em nosso estado.

NAVIO QUEEN ELISABETH 2 PODE VIRAR SUCATA


Lançado em em 1967, o Queen Elisabeth 2 entrou em serviço em 1969 e completou pelo menos 26 viagens volta ao mundo.

Segundo especialista ouvido pelo Liverpool Echo, encontra-se apodrecendo no terminal de Port Rashid, em Dubai, conerto de poeira por dentro e por fora, com risco de ser vendido como sucata.

O luxuoso transatlântico teve laços estreitos com Liverpool (Inglaterra) desde sua primeira escala importante na cidade inglesa, em 1990. Ele também abriu o novo terminal de cruzeiros da cidade em 2007.

Em 2008, milhares de simpatizantes do navio alinharam-se às margens do rio Mersey para uma emocionada despedida coletiva ao QE2, pela última vez, antes da viagem final a Dubai.

Plano original era transformar o QE2 em hotel de luxo flutuante, com conversão significava para entrar em operação com esta finalidade dentro de dias de sua chegada em Dubai, mas foi abandonado devido à crise econômica do emirado árabe.

Agora, há uma campanha para que o QE2 seja levado de volta a Liverpool e preservado em honra a seu glorioso passado, como nave capitânea da Cunard.

Há até um forum de discussões a respeito:


DECISÃO GARANTE SEGURANÇA JURÍDICA NA ORLA


Liminar lavrada pelo juiz Hélio do Valle Pereira, favorável ao restaurante Oliveira, na Lagoa da Conceição, é forte: não só em fundamentos jurídicos como também em argumentos históricos e socio-antropológicos, estes relembrando a urbanização ancestral (mas grosseira) do nosso combalido e desassistido litoral - intensamente ocupado mas órfão de estruturas de apoio náutico em quantidade e qualidade bastantes. 

De maneira sutil, lá pelo meio da decisão, o magistrado dá tapa de luva no MPF, ao considerar que, levada a regra moderna a ferro e fogo, sem razoabilidade, "se deveriam retirar também os prédios que estão nas imediações dos mangues, que hoje ficam protegidos por áreas aterradas". 

Importante: fica claro que "cada caso é um caso", o que significa dizer que a decisão, embora sirva de precedente em sua fundamentação geral, não protege a miríade de distintas hipóteses,  erguidas em diferentes datas às margens da Lagoa da Conceição ou mesmo sobre elas - por vezes avançando no espelho d'água. 

Ao fim e ao cabo, sobrará espaço para subjetividade e arbítrio, conforme o magistrado da vez e a capacidade probatória do desesperado postulante que, diga-se, não escapará de pesadas despesas com advogados, custas e peritos (e, por fim, calmantes) para provar, anos depois, o seu alegado direito - tenha ou não razão!

Tudo isto, enquanto em outra frente de batalha, não menos onerosa e irritante, estará a se defender da SPU avançando bolivarianamente sobre a propriedade privada do pacato cidadão impondo-lhe imaginária linha demarcatória de terrenos de marinha.

Muito trabalho pela frente! 

Íntegra da decisão:

Mandado nº: 023.2015/022489-8 

Situação: Distribuído em 09/04/2015 
Local: Capital / Central de Mandados do Foro Capital

Vistos etc. 

Nesta demanda se quer liminar para impedir demolição de imóvel que margeia a Lagoa da Conceição. A conduta da municipalidade, que faz ameaça documentada de desalojamento da autora, vem de decisão da Justiça Federal ao menos assim se vendo dos documentos anexados ao processo. Lá houve deliberação, mediante provocação da Procuradoria da República, no sentido de impor à Prefeitura de Florianópolis o exercício do poder de polícia, de sorte a afastar as edificações ofensivas ao meio ambiente. Fez-se, no caso da autora, laudo administrativo e se comunicou a ilicitude da obra, dando-se ciência da perspectiva de desfazimento do que está lá. Ao que se nota, então, este processo tem relação com a imensa polêmica divulgada pela imprensa a propósito de deliberação que teria imposto a mera demolição de infinitas acessões na Lagoa da Conceição. Como se vê, não era bem assim, e seria aberrante que se atingissem terceiros alheios ao processo. O máximo que poderia ser feito era como adequadamente faz o Município um levantamento técnico individualizado, dando-se a cada possuidor o direito de defesa. Só depois, à vista de cada caso, se poderia decidir a respeito da melhor medida a ser adotada. É um truísmo, mas deve ser repetido: a coisa julgada atinge quem faz parte da relação processual, quem ingressou com a ação ou pôde se defender. É o que está no art. 472 do Código de Processo Civil. Desse modo, para a autora, nada existe judicialmente que imponha um necessário prejuízo aos seus interesses patrimoniais. Firmada a premissa, tinha a tentação de dizer que seria inesperada uma iniciativa voltada a destruir edificações que estão há décadas e décadas no mesmo ponto e sem que haja nenhum indicativo de que, em certo momento, houvesse alguma sorte de polêmica a respeito da possibilidade de ter sido levantada aquela edificação. Só que essa situação, digo com frustração, não é inesperada. Há um sentimento, que se é bem distante de ser geral, não é raro, no sentido de impor uma extemporânea política de tolerância zero. Usam-se valores sedimentados apenas mais recentemente para corrigir erros pretéritos se é que se pode, no caso, falar propriamente de erros. Com pretensões censórias, quer-se dizer que o que os florianopolitanos poderiam ter feito há décadas atrás. Dito de maneira bem direta: hoje choca realmente que haja edificações margeando a Lagoa da Conceição. Constrange que se impeça, em termos concretos, até mesmo a plena visualização daquelas águas, que se permita um amplo acesso das pessoas àqueles locais. É lamentável que se chegue a ter lojas vendendo as mais corriqueiras coisas (que poderiam ser ofertadas em qualquer outro ponto) em detrimento daquilo que poderia ser um símbolo do patrimônio natural de Florianópolis. Só que não vejo como solução, muito menos vejo como justo, que se observe apenas um dos lados desse problema. Se atualmente existe essa acentuada sensibilidade, não é razoável que se procurem corrigir distorções passadas por meio do ataque a fatos consolidados há décadas. O direito é dinâmico, as compreensões evoluem, mas não pode existir um compromisso de desfazer o consolidado a partir de visão de hoje. As cidades raramente nascem de forma planejada, ou se desenvolveram dessa forma previamente calculada. Florianópolis surgiu voltada para o mar e se pode estender, depois, que também se voltou para a Lagoa. Comemoram-se há poucos dias 289 anos, mas o dado é simplista. A ocupação humana aqui tem milhares de anos. Os europeus frequentavam a Ilha desde o início do século XVI. Aqui estiveram Sebastião Caboto, Hans Staden, Cabeza de Vaca. Era o Porto dos Patos. Custou-se até a compreender que as Baías não eram um estuário, mas a separação do continente. Houve uma invasão espanhola. O fundador da vila do Desterro foi assassinado por piratas. Milhares de açorianos pobres foram enviados para colonizar este local. (A respeito, têm-se os ótimos livros de João Carlos Mosimann, Porto dos Patos - A Fantástica e Verdadeira História da Ilha de Santa Catarina na Era dos Descobrimentos, e Carlos Humberto P. Corrêa, História de Florianópolis.) E se construía naturalmente perto daquilo que trouxesse mais comodidade. Rio, mar, lagoa, pouco importava. A terra era de quem chegasse primeiro ou tivesse mais poder. Não havia melindres ambientais. Isso não é uma característica dos ilhéus. É uma prática mundial. Li por estes tempos uma reportagem muito representativa na Folha de São Paulo, e destaco esta passagem (que reencontrei, é claro, por pesquisa na internet): Debaixo das principais avenidas de São Paulo, passam rios. Sob a 23 de Maio, corre o Itororó. Na 9 de Julho,flui o Saracura. Na avenida dos Bandeirantes, esconde-se o córrego da Traição. E, na avenida Pacaembu, claro,o Pacaembu. Na capital paulista, existem mais de 300 cursos de água encobertos. () "Água não falta, o que falta é a percepção dela", afirma o urbanista José Bueno, que criou a iniciativa Rios e Ruas ao lado do geógrafo Luiz Campos Jr. () "Fui apresentado ao Luiz e perguntei: Você diz que São Paulo tem um monte de rios, a gente pode experimentar isso? Aí ele disse uma frase que me fisgou: Não existe nenhum lugar da cidade em que você esteja a mais de 200 metros de um curso d'água. Isso é brutal", recorda o urbanista. (http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/2014/11/23/1551264-aqui-passa-um-rio.shtml). Essas construções mais próximas (nem se fale então daquelas sobre) os rios são todas indevidas à luz da atual legislação e especialmente ante os valores que reinam atualmente. Haveria sentido em derrubá-las? O direito ambiental é feito por gente e deve ser evocado para valorizar pessoas. Derrubar aquilo que foi erguido sem nenhuma suspeita de ilicitude há décadas não traz proveito social. Traz insegurança, prejudica prerrogativas individuais, agride até mesmo o patrimônio cultural, que é representado pela forma com a cidade foi paulatinamente se espraiando. Como disse, causa-me pena de haja uma avenida praticamente sobre as dunas, que construções escondam a visão da Lagoa. Não estimo como seja viável, porém, promover uma derrubada dessas construções ou obras longevas, algo que se impregnou na cidade. Fosse assim, os tratores do Município não poderiam mais parar. Começar-se-ia possivelmente derrubando este Fórum (que está próximo de curso d'água e só não está mais perto do mar por causa de aterros) e prosseguindo sem limites morros, vizinhança de córregos ocultos, quase tudo não poderia mais subsistir. A seu tempo se chegaria à longa avenida Beira-Mar Norte e se deveriam retirar também os prédios que estão nas imediações dos mangues, que hoje ficam protegidos por áreas aterradas. Ratifico, de conseguinte, esta longa passagem doutrinária: O ordenamento jurídico vigente oferece os requisitos para a concretização das áreas urbanas consolidadas. Todavia, nem o Código Florestal nem as Resoluções do CONAMA enfrentam questão crucial, isto é, como recuperar áreas de preservação permanente urbanas com ocupação consolidada. Tome-se como exemplo, as avenidas marginais aos rios na grandes cidades ou os bairros situados nas regiões íngremes. À luz do Código Florestal, são de preservação permanente as margens desses rios, o topo de morros caso da Avenida Paulista, em São Paulo e as encosta de morros com inclinação igual ou superior a 45º. Seriam , porém, rematado despropósito pretender a demolição da infra-estrutura urbana existente nessas áreas. Não é necessário invocar a regra do direito adquirido para solucionar tais hipóteses, mesmo porque não existe direito adquirido de degradar o meio ambiente. Aplicando-se, porém, o princípio da razoabilidade, quando a reversão do status original de APPs exigir a realização de obras de tal parte que acarretem significativo impacto ambiental e de vizinhança (arts. 36 a 38 do Estatuto da Cidade: demolições, retirada de camada asfáltica, problemas de tráfego, poluição sonora e visual, dentre outros) e, ainda, naquelas em que o custo da recuperação seja despropositado, a mesma não deverá der exigida. Este é o quadro normalmente verificado em áreas urbanas de grande densidade populacional e de inexistência de instabilidade ambiental provocada pela intervenção antrópica no ambiente. Acórdão do Superior Tribunal de Justiça que julgou o Recurso Especial n. 499.188-SE, cuidando de hipótese de construção de estrada de rodagem em área de preservação permanente (dunas) não precedida de estudo de impacto ambiental tratou de hipótese assemelhada. Referido recurso especial havia sido interposto pela União Federal contra acórdão proferido em sede de apelação pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região que concluíra pela aplicação do princípio do poluidor-pagador em face da 'impossibilidade fática e jurídica do desfazimento da obra, cujas conseqüências ambientais e sociais seriam bem piores que as de sua realização'." (...) Tecidas tais considerações, pode-se concluir que (...) c) A recuperação de áreas de preservação permanente urbanas com ocupação consolidada somente há de ser exigida nas hipóteses em que os benefícios ambientais trazidos por sua revitalização sejam superiores ao impacto ambiental e de vizinhança decorrente da realização da obra e seus custos sejam compatíveis com o benefício trazido para a coletividade." (Guilherme José Purvim de Figueiredo, Código Florestal: Aspectos Polêmicos, in Revista de Direitos Difusos 33/172-174) Sou obrigado, é claro, a ponderar, ainda que seja bem evidente, que isso não afasta muitíssimo pelo contrário a nítida possibilidade de se encontrarem construções imerecidas. Prédios mais atuais e sem licença, obras embargadas e que prosseguiram sem temor, acréscimos irregulares, edificações que lançam dejetos nas águas e assim indefinidamente. Só que no caso concreto, o próprio Município diz que a construção tem registro desde 1970 (fls. 21). A autora traz papéis que apontam até para ocupação precedente quase uma década. Seria um despropósito que se admitisse a demolição sem que se avaliem esses aspectos todos. Assim, defiro a liminar, sustando a eficácia de qualquer iniciativa do Município que afete a posse da autora sem nova decisão judicial. Cite-se.

BAR DO ANIZIO: JUSTIÇA FEDERAL MARCA AUDIÊNCIA


A Justiça Federal determinou audiência de conciliação antes de decidir sobre pedido da FLORAM, endossado pelo MPF, para demolição do bar e restaurante Recantinho (também conhecido como bar "do Anizio", nome do proprietário - na foto, bikes de clientes), que integra a Aquavia Gastronômica da Lagoa da Conceição e Canal da Barra.

Na íntegra, o acertado despacho do juiz Marcelo Kras Borges, da 6ª Vara Federal de Florianópolis:

"Entendo ser necessária a realização de audiência de conciliação, eis que as partes tem o direito de discutir o laudo pericial e de apresentar propostas. O feito ambiental é muito complexo. Por outro lado, as partes tem o direito de participar e discutir democraticamente. É necessária a audiência para verificar e esgotar a possibilidade de acordo, bem como para esclarecer completamente os pontos controvertidos, a fim de que seja realizado um julgamento efetivamente justo. Isto posto, designe a secretaria data para a audiência de conciliação.".

Andou bem o magistrado pois o "Recantinho", na foto recebendo ciclistas integrantes da ong ViaCiclo, é um dos mais queridos e tradicionais estabelecimentos da Barra da Lagoa: a absurda ameaça de demolição vem causando revolta à comunidade, aos funcionários ameaçados de perder o emprego e à enorme e diversificada freguesia.

O Sr. Anízio Felício, o simpático proprietário, que sempre faz questão de visitar todas as mesas para verificar a satisfação dos clientes, descende de tradicional família de pescadores artesanais e é filho e neto de pescador. A família Felício reside há mais de cem anos no terreno junto ao qual, há mais de vinte, o "Recantinho" foi erguido.

O Sr. Anízio e sua esposa, a micro-empresária Sra. Rizete, lutam há anos para promover a regularização, reforma e ampliação do deck náutico do "Recantinho", com vistas a atender com mais segurança e conforto à freguesia que chega à pé, de bicicleta e de barco. 

Até a Comcap utiliza o deck do estabelecimento para retirar o lixo comunitário pelo canal, usando uma baleeira, pois não há acesso rodoviário às dezenas de residências e pousadas no entorno do "Recantinho", na margem direita do Canal da Barra.

Porém, mesmo o Sr. Anizio portando autorização da Capitania dos Portos e estudo ambiental realizado pela Ambiens Consultoria através de contratação coletiva com outros membros da Aquavia Gastronômica e tendo oferecido o deck do "Recantinho" para o transporte aquaviário de passageiros, MPF, SPU e Prefeitura só criam dificuldades, tirando a paz e o sono da apreensiva família Felício, que vem tendo enormes despesas para defender-se e não ver sua principal fonte de sustento demolida pela falta de razoabilidade e boa técnica no trato das normas ambientais.

CADA CRUZEIRO INJETA US$ 2 MILHÕES


Estudo recente descobriu que cada navio de passageiros injeta mais de US$ 2 milhões na economia de Seattle, com destaque para a hotelaria.

Impulso de aproximadamente 397 milhões dólares americanos a cada ano.

Mas aqui em Florianópolis, forças do atraso vão, por ora, sabotando o dedicado trabalho pelo reingresso da Ilha de Santa Catarina na rota dos transatlânticos. 

Com a inevitável renovação das lideranças do trade turístico e da mentalidade na política local, oxalá este quadro mude.

Não há mal que sempre dure.


CRUZEIROS EM UNALASKA: C&VB MOBILIZA CIDADE


Conforme a Wikipedia, as Ilhas Aleútes, Aleútas ou Aleutas são um arquipélago que, estendendo-se em forma de arco, constituem o prolongamento da península do Alasca para o sudoeste. Banhadas a norte pelo Mar de Bering e a sul pelo Oceano Pacífico, distribuem-se em cinco grupos principais que, de Leste a Oeste, recebem as designações de ilhas Fox, ilhas Four Mountains, ilhas Andreanof, ilhas Rat e ilhas Near.

Uma das ilhas Fox chama-se Unalaska, que está na rota dos cruzeiros marítimos entre a Ásia e a América do Norte, que se abastecem no pequeno porto local.

Com algo como 5.000 habitantes, a comunidade local comemora a chegada do primeiro cruzeiro da temporada, o luxuoso Crystal Symphony, com cerca de 1.000 turistas a bordo, na rota de Tóquio (Japão) para Vancouver (Canadá), com paradas em Kodiak, Seward e Ketchikan depois que sair das Aleutas. 
A KUCB, órgão de imprensa da ilha, informa que temporada de cruzeiros 2015 será a mais longa e a mais movimentada de Unalaska - o Crystal Symphony é o primeiro de oito navios com escalas programadas. Um deles, em setembro, vai levar 2.000 passageiros para esta linda cidadezinha do Alasca.

Cathy Jordan, diretora executiva do Unalaska/Dutch Harbor Convention & Visitors Bureau esta mobilizando a cidade para bem receber os cruzeiristas, oferecendo mais ônibus para passeios e alternativas de excursões, distribuindo melhor os visitantes pela ilha, pois as maiores estruturas turísticas locais podem receber, no máximo, de 150 a 200 pessoas ao mesmo tempo.

Em Florianópolis nosso Convention & Visitors Bureau está em débito com a cidade, por não ter nenhuma iniciativa própria para a inserção da Ilha de Santa Catarina na rota dos cruzeiros marítimos.